Comerciantes de Niterói fazem liquidações para trazer clientes de volta

Geovanne Mendes –

Em Niterói, a situação de quem convive diretamente com a saúde da economia não é das mais animadoras e as dificuldades saltam a olho nu. No comércio local não é difícil observar lojas fechadas ou outras ainda em funcionamento, mas com placas de “Passo o Ponto”. A queda nas vendas é o reflexo mais que imediato desta crise que assola o país. Pelas principais ruas do Centro, o consumidor pode observar facilmente lojas vazias e vendedores de braços cruzados.

Para tentar reverter essa situação cerca de 90% dos lojistas do Centro estão apostando em generosas liquidações, que chegam a 50% de desconto. Tudo isso para que o consumidor volte a olhar para as lojas com desejo, como acontecia nos áureos tempos de economia aquecida. Pensando nisso várias lojas da Rua Visconde do Uruguai, conhecida pelo comércio popular, não economizaram em propagandas e decorações para laçar a clientela.

“A nossa queda aqui na rua inteira foi de 40% comparando junho de 2016 e o mesmo período deste ano, mas mesmo assim não desistimos dos nossos clientes e fizemos inúmeras promoções de até 50%. Por exemplo, aqui o cliente leva cinco e paga quatro camisas. Posso afirmar que julho já está sendo bem melhor”, conta o gerente Gleydson Rafael, de 28 anos, que além das promoções conseguiu assegurar o emprego de 11 vendedores.

Juan Carlos, de 22 anos é vendedor em uma loja de roupas há quatro anos. Segundo ele, o período de crise reduziu pela metade os seus ganhos em comissões. Mesmo assim, o universitário que trabalha para pagar a faculdade de Engenharia de Produção não desanima e acredita que com as liquidações irá recuperar as vendas perdidas.

“Eu ganhava o dobro do que ganho hoje, mesmo assim não posso desanimar. O importante agora é fazer o cliente voltar a consumir. Só assim garantimos o nosso emprego e ainda giramos a economia”, anima-se.

A diminuição nas vendas percebida nas ruas não é exclusividade do comércio local. O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, caiu 3,2% no acumulado no ano (1º semestre de 2017 contra o mesmo período do ano passado).

Na avaliação acumulada em 12 meses houve queda de 3,0%. Na análise mensal com ajuste sazonal o varejo apresentou em junho crescimento de 2,1% em comparação com maio.

Setores
Dentre os principais setores, o de Móveis e Eletrodomésticos apresentou alta de 5,1% em junho, descontados os efeitos sazonais. A categoria de Tecidos, Vestuários e Calçados subiu 0,3% no mês. A atividade do setor de “Supermercados, Alimentos e Bebidas” subiu 0,8% no mês na série dessazonalizada. Por fim, o segmento de “Combustíveis e Lubrificantes” subiu 0,5% em junho considerando dados dessazonalizados.

Em nota, a CDL Niterói, informou que apesar de todo o investimento feito pela Câmara de Dirigentes Lojistas, em prol do desenvolvimento da economia, nesse primeiro semestre houve redução de 2,8% no desempenho das vendas no varejo no município.

“Isso se dá pelas condições adversas pela qual o Estado do Rio de Janeiro passa, com uma crescente onda de violência, a instabilidade política, que reflete diretamente na crise econômica do país e dificulta muito a obtenção de resultados positivos”, completou a nota.

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