Comerciantes de Niterói e São Gonçalo amargam prejuízo com cancelamento do Carnaval

Raquel Morais

Confete, purpurina, fantasias e adereços. Itens básicos para qualquer folião que curte ‘pular Carnaval’, mas que com a pandemia da Covid-19, tornou-se uma diversão que está longe de ser cumprida. Empresários do setor de comércio desses itens lamentam a baixa nas vendas, sentimento esse compartilhado pelos presidentes das entidades representativas de Niterói e São Gonçalo.

A vendedora Cláudia Santos, 39 anos, trabalha em uma loja que vende fantasias e adereços de Carnaval no Centro de Niterói. Ela pontuou que a crise está tão forte que não teve investimento nenhum específico para os dias de folia.

“Não tem nada de Carnaval para vender. Sem espuma, sem fantasia e sem acessórios. Não teve investimento em nada nesse ano e também não tem ninguém perguntando sobre o Carnaval. O estoque está guardado”, contou a funcionária, que explicou que as vendas de outros artigos como descartáveis e itens de festa caíram 70%. “Ainda tivemos redução do quadro de funcionários”, completou.

O mesmo pontuou o comerciante José Luiz Duarte, proprietário de uma loja que também vende artigos de Carnaval e de alimentação, como bebidas e comidas, no Centro.

“Ano passado perdemos as vendas de festas juninas e nesse ano vamos perder também as vendas para Carnaval, como bebidas e água, por exemplo. Não investi em estoque e diminui em 50% as compras que naturalmente eu sempre fiz”, frisou.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Luiz Vieira, explicou que nesse segmento os comerciantes compram o estoque em setembro e outubro para receber agora, no início do ano.

“O cancelamento do Carnaval é uma verdadeira aberração no comércio nesse segmento pois o comércio já recebeu esses produtos, que já estão nas lojas para vender. Agora com o cancelamento do Carnaval, obviamente não vamos efetuar as vendas. Até porque não havendo Carnaval, desfile de escolas e blocos a venda não vai acontecer. Vamos ter que pagar fornecedores e mais uma vez o comércio fica prejudicado. Estamos torcendo para que tenha o Carnaval em junho para escoar esses produtos”, contou.

Vieira conta ainda que o prejuízo será realmente muito alto.

“O comércio, infelizmente, está prevendo um grande prejuízo uma vez que a expectativa de venda está sendo frustrada pela decisão do governo de suspender o Carnaval. A gente até compreende isso. Mas essa decisão tinha que ser lá atrás e não decisão agora, em cima da data, onde não dá tempo de cancelar os pedidos e os compromissos já foram assumidos”, completou.


Em São Gonçalo acontece o mesmo e o presidente da CDL-São Gonçalo, Mario Santos, salientou esse prejuízo em função das indefinições sobre o Carnaval 2021.

“Por outro lado, todos acham que não tem como ter Carnaval. A pandemia ainda não se acalmou, a vacina está chegando, a tendência é que no futuro próximo a gente comece a pensar um Carnaval fora de época. Os empresários já estavam atentos para isso e esperavam que não iam vender. Havia essa previsão e muitos não investiram em estoque. O setor com certeza vai ser prejudicado”, finalizou.

CarnaRio

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, decidiu suspender o Carnaval fora de época que havia sido planejado para julho. A proposta de criação de um Carnaval anual no início do segundo semestre foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador em exercício, Cláudio Castro. Na época da aprovação, o governo esclareceu que a lei visa estimular o turismo, o lazer e a economia, mas apenas possibilita que o evento seja realizado, o que vai depender das recomendações das autoridades sanitárias.

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