Combate ao estresse se tornou mais desafiador em época de pandemia

Especialistas falam como diminuir esse mal no atual momento sanitário

Na última quinta-feira (23), todo o planeta discutiu a importância da saúde mental no Dia Mundial do Combate ao Estresse. E por mais que a data em si já tenha passado, nunca é tarde para se falar sobre o tema. Principalmente no atual momento, onde mesmo com a retomada gradual das atividades presenciais, ainda se faz necessário uma série de cuidados relacionadas ao isolamento social.

Após pouco mais de um ano e meio do início das medidas restritivas, ainda é difícil definir como ficou a saúde mental dos brasileiros. Isso porque o estresse é uma reação do organismo com componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma adaptação grande a um evento ou situação de importância. Ele pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida ou à exposição a determinados ambientes.

Segundo Ester Gomes, especialista em desenvolvimento humano, é importante destacar que cada pessoa reage de forma diferente ao estresse, principalmente em uma época como a atual, onde a tensão é muito maior se comparada a circunstâncias normais pré-pandemia.

“A resposta ao estresse e à pandemia da covid pode depender da formação do indivíduo, do apoio de familiares ou amigos, da situação financeira e, obviamente, da saúde física e mental. Faça uma atividade relaxante na busca pelo descanso mental, como escutar uma música, jogar algum jogo, assistir séries ou até mesmo seu programa de TV favorito”, explica a especialista.

Já outra profissional, a imunologista Flávia Cohen, da clínica FVC, afirma que há muitos estudos que demonstram o efeito do fator emocional sobre o sistema imunológico e, nesse sentido, o estresse e a ansiedade constantes favoreceriam o surgimento de diversas doenças. Segundo um artigo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse está relacionado a mudanças nos números de linfócitos presentes na corrente sanguínea. Tratam-se de células que fazem parte do sistema imunológico e que são responsáveis pela destruição de micro-organismos invasores, como bactérias e vírus.

“É fundamental que ocorra uma mudança de hábito que favoreça o fortalecimento do sistema imunológico, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus. Alimentação saudável, alimentação saudável, prática moderada de exercícios, bom período de sono e, se possível, exposição ao sol”, recomenda a especialista.

Atenção a sinais que começam a acontecer com frequência

Quando se falar em estresse, comumente se faz uma associação a um período de irritação ou explosão emocional, como uma crise de choro ou um momento onde alguém desanda a falar impropérios em um tom de voz excessivamente alto. Mas o problema vai muito além dessas características e também tem outros sinais, como os que se encontram abaixo.

  • Sintomas de estresse psicológico: Ansiedade, angústia, nervosismo, preocupação em excesso, Irritação, medo, impaciência, Problemas de concentração e de memória. Desorganização, dificuldade em tomar decisões, cometer mais erros que o habitual, esquecimentos e sensação de perda do controle.
  • Sintomas físicos do estresse: Problemas cardíacos e gastrointestinais, Facilidade em ficar doente, Alergias, asma, insônia, Tensão muscular, mãos frias e suadas, Dor de cabeça ou enxaqueca, problemas de pele e dores no pescoço e Queda de cabelo anormal.

O psicólogo Cléo Holanda, autor de uma série de livros baseados na reestruturação dos pensamentos e na regulação emocional, explica que o estresse pode levar a procrastinação: 

“A procrastinação, de uma maneira sucinta, é você deixar para amanhã o que deve ser feito hoje. O estresse pode sim causar isso de forma patológica e atrapalhar o dia a dia. Já a preguiça, não. Atrasar-se 15 minutos para chegar no trabalho porque dormiu um pouco mais é diferente de procrastinar a entrega de trabalhos, ação que traz malefícios”.

Bruxismo e problemas de fertilidade

Outra consequência do estresse pode afetar os dentes, como o bruxismo. Segundo o dr. Reginaldo Jr, cirurgião dentista, esse problema é diretamente interligado à falta de cuidado com a saúde mental.

“Bruxismo e estresse são totalmente interligados. O paciente que desenvolve o bruxismo, que representam 60%, dos pacientes que vão à clínica, é uma pessoa que está desenvolvendo esse problema ou que já possui o bruxismo crônico, algo totalmente relacionada à saúde mental”, explica o dentista.

Outra consequência ruim para o estresse é a infertilidade, isso porque este problema estar ligado a esse mal, principalmente quando isso se torna algo constante na vida do casal. Estudos mostram a influência de fatores emocionais e psicológicos no funcionamento do organismo, não só no momento da gravidez, mas também por experiências vividas na infância, que continuam refletindo na vida adulta, podendo impactar a fertilidade feminina.

Cristiane Coelho, ginecologista com quase 20 anos de experiência na área, especialista no tratamento de pessoas com dificuldades para engravidar, relata:

“O estresse atua como fator desfavorável no nosso corpo, alterando as condições para o embrião se consolidar e prosperar”, explica a ginecologista.

Por isso, ela explica que, considerando o impacto que os fatores emocionais causam neste processo, um tratamento adequado se faz necessário, com o devido acompanhamento médico, aumentando assim, consideravelmente, as chances de bom prognóstico da gestação.

Plantas e atividades físicas como opção

Segundo um estudo da Universidade de Hyogo, no Japão, aponta que o simples contato visual com plantas pode reduzir o stress no ambiente de trabalho.

“Os benefícios para a saúde são muitos como, por exemplo: melhora da concentração, diminuição do estresse e do cansaço mental. As plantas podem reduzir os níveis de ansiedade e seu cheiro pode ajudar a melhorar a qualidade do sono e a produtividade durante o dia; prevenção de irritações nos olhos,  problemas respiratórios e  dores de cabeça; absorção de gases tóxicos do ambiente e auxiliar no controle da umidade,” explica Rayra Lira, paisagista.

E um recente guia divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou o exercício físico como uma das atividades que auxiliam na prevenção e no enfrentamento do estresse gerado pelo avanço da pandemia de Covid-19. De acordo com a OMS, práticas como a priorização de uma alimentação equilibrada e a realização regular de exercícios físicos simples, que podem ser praticados em casa todos os dias, são aliados para evitar que as consequências psicológicas causadas pelo atual momento se tornem duradouras.

“O exercício faz o corpo liberar endorfinas, promovendo uma sensação de bem estar. No momento que você combina uma dieta equilibrada com exercícios físicos, o bem estar vem com o bom funcionamento fisiológico, te deixando mais calmo, tranquilo e racional”, conta o personal trainer Gui Guedes.

Relações pessoais como terapia

Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, ter uma relação saudável com amigos e família, pode até prevenir doenças. Principalmente quando se trata de estresse, e o tanto que esse sentimentozinho pode ser prejudicial para a nossa saúde mental e física. A pesquisa acompanhou cerca de 2 mil pessoas, e a partir disso concluíram que ter uma vida sem muitas preocupações, discussões e motivos para picos de nervosismos, pode ajudar a proteger o corpo do paciente contra doenças crônicas – como diabetes – além de evitar a depressão; E é isso o que a Dra. Adriana Lima, biomédica especialista em longevidade, fala sobre hoje.

“Um relacionamento vai muito além da parte sentimental, ele mexe com a parte química do seu corpo. Os benefícios, é claro, vem dos frutos de um relacionamento saudável, que deixa o seu corpo mais saudável também em consequência”, conclui Adriana.

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