Comandante de SG pede apoio ao MP para coibir roubo de cargas

Wellington Serrano –

O comandante do 7º BPM de São Gonçalo, coronel Ruy França, encaminhou ao Ministério Público Estadual ofício pedindo auxílio ao combate no roubo de carga e carros na região. A informação é do próprio comandante, em entrevista à reportagem de A TRIBUNA. Na ocasião, ele se disse preocupado com a situação. “Coloquei-os a par dos números expressivos. Estou buscando envolver todas as pessoas que de alguma maneira podem reconhecer a dificuldade e auxiliar na solução do problema”, afirmou.

O coronel explica que o documento enviado ao MPE é embasado nos recorrentes casos de violência praticados nos roubos de cargas e veículos. Segundo ele, os locais e o horário onde os ladrões mais atuam em São Gonçalo são na BR-101, nas Ruas Vicente de Lima Cleto e Alfredo Bahiense, Avenida Paula Lemos e nas Estradas do Pacheco, da Trindade, e de Santa Isabel, entre o horário das 9h às 13h. “Foram 228 roubos de carga no primeiro quadrimestre de 2016 contra 480 no mesmo período de 2017. Só em São Gonçalo essa modalidade teve um aumento de mais de 100% nos indicadores”, lamentou o comandante, conforme dados do Instituto de Segurança Pública, especializado na análise baseada na identificação de manchas criminais, o ISPGeo.

Segundo ele, os roubos de carga vêm sendo uma nova modalidade especificamente adotada pelos traficantes na região por ser mais rentável. “Não podemos adotar esse discurso de que o roubo de cargas acontece numa rodovia federal e não temos nada a ver com isso. Não podemos virar as costas para este problema que acontece ali porque impacta os municípios no entorno. Em conjunto com as polícias Rodoviária Federal (PRF) e Civil, 90 militares e 30 viaturas do Batalhão de Choque, sendo 18 motocicletas do Grupamento Especial Tático em Motopatrulhamento (GETEM), seis do Grupamento Tático de Ações Rápidas (GTAR) e mais seis Unidade de Controle de Distúrbios (UCD) estamos com a megaoperação ‘Choque de Ordem’ para evitar a ação direta dos traficantes do Salgueiro”, revelou França.

A promotora de investigação criminal do MP, Renata Bressan, demonstrou preocupação com o aumento da criminalidade nos últimos índices do ISP. “Independente do que é sentido pela população percebemos nos inquéritos que o perfil dos criminosos mudou e já não é o mesmo há 10 anos. Por isso, estamos preocupados com este aumento e vamos auxiliar a PM na adoção de medidas para diminuir esses números”, ressaltou Bressan.

O comandante não tem uma estimativa de quantos traficantes atuam hoje em São Gonçalo, mas fez um mapeamento de um dos três complexos na cidade, que demanda uma preocupação constante. “Só no complexo do Salgueiro temos Itaúna, Fazenda dos Mineiros, Boaçu, Morro das Acácias e do Céu, conjunto da Marinha, da PM e Guaxindiba, tudo isso cercado por praias, mangues e matas, numa grande região cheia de barricadas feitas até com trilhos de trem amarrados a botijões”, contou França.

Sobre os roubos a veículos, os índices do ISPGeo confirmam que no primeiro quadrimestre de 2016 foram 1.393 casos. Neste período, as vias que tiveram mais roubos foram a BR-101, com 103 roubos e a RJ-104, com 28 roubos. Neste mesmo período no ano de 2017 foram 1.818 roubos de veículos, sendo as ruas com mais roubos a BR-101 com 127 e a RJ-106 nos horários entre 19h às 23h, tanto em 2016 quanto em 2017, um aumento de quase 50%. Só no mês de abril, até a última segunda-feira, foram contabilizados 428 roubos de veículos.

O impacto econômico do roubo de cargas
Estudo da Firjan sobre o impacto econômico do roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro aponta que esse é o crime que mais prejudica o setor produtivo e a sociedade. O primeiro, devido ao aumento dos custos de frete e à perda de competitividade; o segundo, devido ao aumento no preço final das mercadorias. Entre 2011 e 2016, houve aumento de 220,9% no número de roubos de cargas, com impacto de R$ 2,1 bilhões na economia. O estudo apresenta, ainda, uma série de propostas para combater o problema. (Veja gráfico).

Grupo de trabalho da Alerj
A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e representantes das polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal, além da Firjan, Fecomércio e sindicatos de transportadoras se reuniram ontem para discutir o roubo de cargas no estado.

“Os números estão intoleráveis. Entre 2011 e 2016, foram registrados mais de 33 mil roubos de cargas. É preciso encontrar uma solução”, disse a deputada Martha Rocha (PDT), presidente da comissão de Segurança. O grupo de trabalho (GT), que pretende elaborar propostas que serão apresentadas ao Ministério da Justiça, foi formado depois da realização de audiência pública na Casa sobre o tema.

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