Com uma grande ajuda dos amigos

Por Luiz Antonio Mello

A versão sanitária da terceira guerra mundial que estamos vivendo – que ninguém previu – está nos jogando cara a cara com o nosso maior predador, a solidão.

Na ilustração, um auto retrato que o amigo/irmão Cláudio Valério Teixeira pintou há meses numa série de aquarelas que fez na pandemia.

Em texto apresentando a exposição na Galeria Evandro Carneiro Arte, a crítica Ana Cavalcanti escreveu que a série “Aquarelas da Quarentena” reuniu mais de 60 obras realizadas durante os meses em que o mundo parou.

Paisagens, naturezas-mortas, autorretratos, cenas do interior do ateliê, pinturas de nus, estudos de mãos, são alguns dos diversos gêneros presentes nesses trabalhos. Até mesmo uma cena de luta vista na televisão, ou “Vaquinha”, a simpática vira-lata em descanso, foram registradas por ele. Todos os trabalhos estão neste link, é só clicar: https://www.instagram.com/claudiovalerioteixeira/ Um ótimo vídeo sobre a exposição, feito por Fernanda Teixeira (sobrinha do Cláudio) está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=62M8joP-Q88

Quinta-feira o Sports Bar (Cerol), tambor social de Icaraí, abriu parcialmente seguindo todas as recomendações. Significa que, pela cidade, nos sempre democráticos bares, as pessoas vão poder retomar minimamente um exercício existencial/afetivo fundamental que é a troca de vivências através do papo.

Meu primo Cornélio Melo tem uma banca de jornal amiga que nas manhãs de sábado deixa em sua casa (Região Oceânica) A Tribuna RJ. É quando ele lê esta coluna. Gente boa, um dos caras mais sensacionais que conheço, após a leitura ele sempre me envia uma mensagem comentando. Aliás, o Cornélio é a pessoa que conheço com a maior (e abençoada) capacidade de fazer amigos. Niterói é testemunha.

Eventualmente aos sábados, meu irmão Fernando Cesar, Caíque Fellows e eu passávamos a tarde na casa dele assistindoaos DVDs e vídeos de rock maravilhosos de sua coleção, além de uma preciosa discoteca de álbuns de vinil. Mas o melhor era o papo depois, que entrava pela noite. As vezes terminava num restaurante. Afinal, meu primo é um dos maiores conhecedores do movimento de bandas que tomou conta de Niterói nos anos 1960 e foi uma peça chave para que nascesse o livro “Liverpool – Cantareira: Rota do Rock” do saudoso Marcos Heizer. Com sorte dá para encontrar um usado aqui: https://bit.ly/31UspxY

Em 1 de fevereiro inaugurei uma rádio na internet que tem como proposta fundamental agregar pessoas em torno do rock e do blues. Ela se chama Rádio LAM e para ouvir é só clicar aqui: https://radiolam.wixsite.com/24horas

Na verdade, a ideia era uma rádio que fizesse bem as pessoas, mas achei pretensioso demais. A audiência só cresce e isso é comovente porque parece que a ideia de reunir aspessoas em torno do radinho (celular) para conversar está se concretizando. Mais: a amiga Bete Babo, de Friburgo, abriu uma página da rádio no Facebook e está todo mundo participando. É aberta a todos, livre acesso, e fica neste link https://www.facebook.com/groups/148373463830194

Sinto uma saudade doída do amigo Dr. Edgard Porto, um dos seres humanos mais extraordinários que conheci. Ele foi embora há uns sete anos, mas deixou na memória horas e mais horas de papo que batemos ao longo de décadas. Nunca consegui tratá-lo de você e sempre o chamei de doutor, um certo temor reverencial. Além de médico conceituado em todo o país, foi um anjo que passou por Niterói.

Intelectual, gostava de filosofia, literatura, admirava Krishnamurti, música, clássica, artes plásticas, mas a sua conversa era simples, suave, centradabasicamente no cotidiano. Adoraria ouvir suas reflexões sobre esse estranho deserto que estamos atravessando; com certeza ele iria dar opiniões simples, criativas e muito otimistas.

Ele gostou muito de um texto que escrevi quando o Ayrton Senna morreu. Para o Dr. Edgard os valores humanos, sociais, afetivos do Ayrton eram o que mais importava. Os carros, as corridas? Eram secundários. “Aquele rapaz mostrava valores diferenciados. Era competitivo, gostava de correr, gostava de vencer, mas sinto que ele gostaria muito de viver num mundo mais justo”, ele lembrou.

Outro papo imperdível é com Álvaro Fernandes, amigo quase oprimo, com quem falo horas ao telefone. Inteligente, bem humorado, conhece política como poucos além de ser um giga advogado. Ele está morando no Rio há mais de 10 anos, mas nasceu e viveu e em Niterói onde praticamente não há quem não o conheça. É outro papo ao vivo que pretendo ter assim que quero ter assim que a vacina nos libertar.

Com a ajuda dos amigos – e que ajuda! – voamos alto e longe e é para eles – que são poucos – que dedico a coluna de hoje. Em comum, além do caráter, eles não consideram a remota possibilidade de perderem a esperança o que já é mais do que meio caminho andado.

P.S. – Lamentável o que os leitores – e confirmei – narram pelo e-mail luizantoniomelloomail@gmail.com. Sabe o lockdown que mantém tudo fechado com exceção de serviços considerados essenciais? Pois bem, as padarias estão nesse grupo e, sabendo que o consumidor está acuado, com pouco dinheiro e poucas opções, uma rede de Icaraí teve o descaramento de subir os preços de todos os produtos em até 20% no dia do lockdown. Ganancia somada a esperteza e covardia. Aproveitam a falta de governo para se darem bem. Merecia uma sabotagem do consumidor, mas o brasileiro é muito bonzinho.

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