Com salários atrasados, professores da Uerj entram novamente em greve

Os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) decidiram retornar a greve nesta terça-feira (03) com participação no ato contra a privatização e em defesa das empresas e do serviço público que aconteceu no centro do Rio de Janeiro.

Os profissionais alegam falta de pagamento do salário de agosto e as péssimas condições de limpeza no campus. A paralisação foi aprovada em uma assembleia, na última quarta-feira. O professor e representante da Associação Docentes da Uerj, Dário Sousa e Silva, diz que hoje haverá uma assembleia às 14h, na Capela Ecumênica, para avaliação do movimento.

“Vamos decidir a próxima estratégia adotada para se comunicar com o governo e definir o futuro da greve. O importante é que a Universidade está unida na indignação e na vontade de se comunicar com o governo. A assembleia de hoje determinará se será por tempo indeterminado ou não”, afirmou Dario.

O professor diz que, além da falta de pagamento, os docentes trabalham em salas sem lâmpadas e sem limpeza. “Nós temos na nossa comunidade testemunhas de que a Universidade está funcionando abaixo do mínimo. Nós temos condições de manutenção muito comprometida. Esperamos, de alguma maneira, atender a população como é esperado”, diz o professor.

Dário destacou que os alunos não serão prejudicados e que as aulas serão repostas. “Sempre que nós paralisamos repomos as aulas. Os professores e os funcionários da Uerj têm responsabilidades. Quando nós tomamos as nossas decisões, diferente do governador, nós nos preocupamos com o que assinamos. Os alunos podem ficar tranquilos porque esse movimento é em defesa do direito deles e da população. Além do seu diploma, eles terão uma universidade pública, voltada para as necessidades do Estado do Rio de Janeiro e que se propõe a apresentar soluções”, garantiu o professor.

O reitor da Uerj, Ruy Garcia Marques, esclareceu acerca do pagamento parcial de servidores. “A Reitoria da Uerj, mais uma vez, reitera que, junto a toda sua comunidade, continua lutando pela isonomia de tratamento entre todos os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Assim, no âmbito de sua competência, vem requerendo que o Poder Executivo Estadual integralize o pagamento de todos os servidores da Uerj, por meio de salários, proventos e pensões do mês de agosto de 2017, bem como o décimo terceiro salário referente a 2016, e de todas as bolsas ainda em atraso”, disse.

Ele criticou a decisão de pagar parcialmente os servidores da Uerj. “Uma característica de uma postura unilateral e não contou com consulta prévia ou aprovação da Reitoria, nem com o respaldo do Conselho Universitário, e, por isso, continua sendo repudiada”, enfatizou.

“Lamentamos a quebra de isonomia em nossa Casa, provocada pelo Governo Estadual. Iniciativas que visem ao pagamento de parte de servidores da Uerj, sob qualquer pretexto, não são e não serão apoiadas pela Reitoria”, concluiu Garcia.

Sobre o atraso no pagamento do salário de agosto, a Secretaria Estadual de Fazenda informou que depende da arrecadação tributária para anunciar quando vai ser o próximo pagamento.

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