Com o indulto Bolsonaro conseguiu o que queria: permanecer no noticiário, diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse quee o indulto individual concedido ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) foi uma estratégia do presidente Jair Bolsonaro (PL) para permanecer no noticiário durante o Carnaval e que a crise entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) “não é normal”.

 “O Bolsonaro foi estúpido quando fez essa decisão [indulto a Daniel Silveira] que ele tomou, essa graça que ele fez. Ele acha que é uma graça mesmo, não no sentido jurídico, mas do ponto de vista de sorrir. Ele foi medíocre”, disse.

Lula justificou seu silêncio desde que Bolsonaro editou o decreto em benefício de Daniel Silveira.

“Essa é uma discussão que eu nem comentei nada porque tudo o que ele queria aconteceu. Ele abafou o Carnaval. Fez isso na quinta-feira e isso ficou no noticiário na sexta, no sábado, no domingo e na segunda. Tudo o que ele quer é que ele permaneça no noticiário, o que aconteceu”, afirmou.

Para Lula, “estamos com um problema no Brasil que é reconstruir instituições que estavam funcionando”. E completou: “Você acha que é normal a briga entre o presidente e a Suprema Corte? Não é normal, algo está errado. O ministro da Suprema Corte e o presidente da República não têm que ficar trocando farpas. Ou seja, a Suprema Corte julga e o presidente governa, e cada um cumpre a sua função”.

Para o ex-presidente, Bolsonaro “tem o direito de fazer o indulto” e disse que não sabe se a condenação de Silveira está certa, por não ser advogado.

“Mas se ele [Silveira] desrespeitou e [Bolsonaro] fez o indulto, quem é que vai julgar? A própria Suprema Corte. O que aconteceu? Ele [Bolsonaro] transformou isso num fato político que a imprensa não fala em outra coisa que não seja isso. De manhã, de tarde, de noite. Se o deputado for candidato, vai ter o triplo de votos da outra vez porque ficou conhecido”, afirmou.

Lula se manteve em silêncio sobre o episódio e vinha sendo cobrado por outros pré-candidatos à Presidência, como Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), a se manifestar publicamente sobre o assunto.

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