Com corte de verbas, alunos federais veem incerteza para o futuro

Pedro Conforte –

Medo, incerteza e insegurança: estes são os sentimentos que os alunos do Colégio Pedro II (CPII) e do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFRJ) vão ter de conviver, após anúncio de corte de mais de 30% nas verbas dessas instituições. Esperançoso, o reitor do CPII, Oscar Halac, divulgou uma nota dizendo que “crê, piamente, que a decisão será revista e retomada a normalidade conjuntural”. Enquanto isso não acontece, alunos de ambas as instituições – que têm unidades em Niterói – não sabem como ficarão seus futuros acadêmicos.

“O pessoal da direção do colégio foi de sala em sala, na quinta e na sexta para comunicar o corte. Com o orçamento atual já é bastante apertado, muitos alunos têm que tirar do bolso para completar o vale-transporte e completar outros gastos que vão além da bolsa. Se houver o corte, muitos alunos podem deixar de estudar. Fora a manutenção dos laboratórios e projetos que ficarão claramente prejudicados”, desabafou uma aluna do Pedro II, que estuda na unidade do Barreto, em Niterói.

O corte da CPII será de 36,37% no orçamento de R$ 51 milhões, com isso o colégio deixará de arrecadar R$ 18 milhões para custear as unidades. Ao todo no Estado são 8 polos, incluindo o de Niterói. Já o IFRJ terá um corte de cerca de 33%, um montante de R$ 16 milhões em seu orçamento. Esta semana também houve cortes de 30% na Universidade Federal Fluminense (UFF). O Ministério da Educação afirmou, na noite durante esta semana, que o bloqueio de 30% na verba das instituições de ensino federais vai valer para todas as universidades e institutos federais.

O IFRJ declarou que, com o corte, só há dinheiro em caixa para se manter até agosto. Alunos da unidade de Niterói da IFRJ contaram que nesta sexta tiveram uma reunião com a direção, onde foi esclarecido o corte.

“Eles disseram que não sabem da onde vão tirar, estamos realmente com medo. Os alunos tiveram a chance de dar sua opinião e dizer em quais áreas iriam (os cortes) afetar menos, mas mesmo assim ficamos nesta incerteza”, lamentou um aluno.

Pai de uma adolescente de 16 anos que estuda no Pedro II, Oscar Freita foi pego de surpresa.

“Não sabia que haveria esse corte. É lamentável qualquer corte, por menor que seja já afeta os alunos e o colégio, e um corte desta magnitude vai afetar muito”.

Em nota, o reitor do CPII explica que “uma atitude que por certo – dado o valor do bloqueio, levará à paralisação das atividades educacionais nos Institutos Federais e nas Universidades. O bloqueio orçamentário linear sobre o custeio das Instituições de Ensino acarretará quebra de contratos celebrados com a iniciativa privada, redução de postos de trabalho e a não prestação de serviços (…). Educação é um plano de Estado, um objetivo permanente da Nação, e sendo assim, não pode estar atrelada a planos governamentais como a reforma da previdência, para o seu desenvolvimento”, declarou.

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