Com benção de Bolsonaro, Cláudio Castro migra para o PL nesta quarta-feira

O xadrez político eleitoral de 2022 já começou a ser jogado no estado do Rio de Janeiro. E quem moveu a primeira peça foi justamente o até então discreto governador Cláudio Castro. Atualmente no PSC, Castro assinará, nesta quarta-feira (19), sua filiação ao Partido Liberal, o PL, em ato que terá a presença do presidente da República Jair Bolsonaro.

 A legenda é liderada, no RJ, pelo Deputado Federal Altineu Cortes e conta, ainda, com outros 3 parlamentares na Câmara Federal: Gelson Azevedo, ex-vice-prefeito de São João de Meriti; Luiz Antônio Corrêa, ex-prefeito de Valença; e Soraia Santos, com base eleitoral em Niterói e Itaboraí.

Há de se destacar que o PL vem ampliando sua força no estado do Rio de Janeiro. Recentemente, o senador Romário se filiou à legenda, que já contava com o senador Carlos Portinho representando o RJ. Além de Romário, sete prefeitos fluminenses ingressaram no partido, perfazendo o total de 18 prefeituras sob o comando da sigla – o equivalente a um quinto dos municípios do estado, tornando-se uma poderosa e expressiva frente de apoio para qualquer pretenso candidato à sucessão do Poder Executivo em 2022.

PAES TEVE O PL COMO ALIADO

Não é segredo que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (em negociação com o PSD), esteja sendo cogitado por algumas forças políticas do estado para a disputa da sucessão estadual, e na eleição para a prefeitura do Rio, onde saiu vitorioso, ele teve o apoio do PL, que indicou o vice-prefeito Nilton Caldeira em sua chapa. Atualmente, o PL possui duas importantes pastas em seu governo: a RioLuz, sob o comando de Bruno Bierrenbach Bonetti; e a Secretaria de Habitação, chefiada nada menos do que pelo próprio vice-prefeito Nilton Caldeira.

Paes, desde logo, vê-se diante de um dilema: caso seja candidato ao governo do estado, entrega de bandeja a prefeitura do Rio ao PL. Caso não seja candidato e decida apoiar uma candidatura diferente, terá de desalojar o PL de seu governo, o que seria uma colisão frontal com o seu vice, Nilton Caldeira. A neutralidade no processo de sucessão estadual não combina com o estilo político de Paes.

PL VAI ENTRAR NO GOVERNO DO ESTADO

Uma das mais importantes pastas do estado será ocupada pela nova sigla do governador: a educação. O secretário atual, Comte Bittencourt, presidente regional do Cidadania e candidato derrotado à vice-governador na chapa encabeçada por Eduardo Paes nas eleições de 2018, será exonerado. Em seu lugar, assumirá o ex-deputado federal Alexandre Valle (PL), com base eleitoral na Baixada Fluminense.

Valle é comerciário. Em 2014, foi eleito deputado federal pelo PRP, com 26.526 votos. Em 2018, foi candidato à reeleição, mas não conseguiu se reeleger, apesar de ter obtido 27.288 votos, ficando com a terceira suplência.

Em 2020, concorreu à prefeitura de Itaguaí, mas ficou em 4º lugar, entre 14 candidatos, com 8.354 votos.

Comte, que em 2020 deixou o governo Rodrigo Neves, em Niterói, para assumir um cargo na gestão de seu último adversário político direto, será o primeiro peão derrubado neste xadrez.

Em meio a bispos, torres, cavalos, rainhas e peões, está o deputado federal Altineu Cortes. Pois ele, neste momento, é o rei do tabuleiro. Mas, geralmente, no xadrez, não é o rei quem dá o xeque-mate.

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