Com a crise, a população procura clínicas populares

Raquel Morais

Levantamento divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apontou que de janeiro de 2015 para o mesmo mês desse ano o número de usuários de planos de saúde diminuiu em 9,83%. Em todo o país a queda foi menor, de 5,36%, nos primeiros meses dos dois anos analisados. Em contrapartida dessas quedas, gestores de clínicas populares percebem aumento no movimento de pacientes nos últimos anos. Em Niterói essa demanda aumentou em até 30%, segundo profissionais da saúde.

Dados da administração do Centro Médico & Medicina do Trabalho (Nitmed), no Centro, apontam aumento em cerca de 30% no movimento de pacientes do ano passado até janeiro de 2017. No local a consulta custa, em média, R$ 70 e as especialidades mais procuradas são fisioterapia e clínico geral. “A procura pelas consultas mais baratas aumentou muito. Eu atendo, além da clínica, em outros lugares, e muitos pacientes acabam pedindo descontos. Eles me falam que não podem mais pagar o plano de saúde e ficam com medo de não conseguirem mais o tratamento”, explicou o responsável técnico do Nitmed, Theo Suckow de Barros, de 58 anos, que também é clínico geral.

O fisioterapeuta Otávio Caride apontou a demora no atendimento público como o principal fator para o aumento de pacientes nas clínicas populares. “Sempre tratei minha saúde na rede pública mas está insustentável aguardar atendimento”, resumiu a aposentada Lucinéia Matos, 65 anos. No Asperj, também no Centro, mais de 20 especialistas atendem de segunda a sexta-feira os pacientes, com consultas que variam de R$ 60 a R$ 70 dependendo da especialidade. Além da consulta ambulatorial os exames de imagens, como ultrassom e raixo X, e exames de sangue, urina e fezes.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em dois anos (de janeiro de 2015 a janeiro de 2017), houve uma redução de 2,7 milhões de beneficiários em planos de assistência médica. Em janeiro de 2015, o setor tinha 50,3 milhões de beneficiários em planos de assistência médica; em janeiro de 2017 (dado mais recente disponível), eram 47,6 milhões. No Rio de janeiro o número de beneficiários em planos passou de 6,1 milhões em janeiro de 2015 para 5,5 milhões em janeiro de 2017, uma redução de 590,7 mil beneficiários no período.

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