Com a chegada do fim do ano crimes de estelionato crescem

Augusto Aguiar
Com a proximidade do final de ano, os trabalhadores, aposentados e pensionistas ficam na expectativa da chegada do 13º salário, que representa uma renda a mais para pagamento de contas e programar as compras da festas de fim de ano. Porém, sabendo disso, os criminosos também estão nas ruas à espera de um descuido, que pode ser até fatal para as vítimas. O perigo é real e os dados estatísticos comprovam que o número de ocorrências de crimes de estelionato e de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentam com a aproximação das festas de fim de ano.

Municípios onde há concentração de comércios e instituições financeiras são os locais preferidos para quadrilhas especializadas nesses tipos de crimes. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), nos mais recentes números divulgados, no mês de agosto, a cidade de Niterói (sem a inclusão de Maricá), registrou 166 ocorrências de estelionato, sendo que a maior incidência foi notada na área do centro, onde está concentrado o “coração financeiro” do município, com bancos e lojas. Do total, 57 ocorrências foram registradas na 76ª DP (Centro), outras 50 na Zona Sul (77ª DP/Icaraí), que também é bem servida de estabelecimentos comerciais e bancos, o mesmo ocorrendo com a Região Oceânica (81ª DP/Itaipu), 30 registros. No comparativo com o mesmo período ano ano passado, a incidência de crimes do gênero aumentou 18,5%, já que Niterói totalizou no período 140 ocorrências. No centro houve redução de 15,7% (57 ocorrências), na Zona Sul ocorreu aumento de 21,9% (41 ocorrências), na Zona Norte aumento de 50% (de 10 para 15 ocorrências) e na Região Oceânica aumento de 100% (de 15 para 30 ocorrências).

Os números referentes a essa modalidade de crime em Niterói são maiores do que na cidade vizinha de São Gonçalo, que registrou 115 ocorrências de estelionato em 2015 contra 140 nesse ano, que por sua vez representam aumento dentro do próprio município de 21,7%. Regiões, como o centro de São Gonçalo, servido pela 72ª DP (Mutuá), e onde estão situadas várias lojas e instituições bancárias registraram 50 ocorrências em agosto do ano passado e 62 no mesmo período desse ano (aumento de 24%). A região de Alcântara e seu centro comercial (74ª DP/Alcântara) registraram 38 ocorrências em 2015 e nesse ano foram 40 casos.

Entre as iniciativas que estão sendo implementadas para conter o avanço desses tipos de ocorrências está a proibição das agências bancárias do estado a oferecerem empréstimos a idosos nos caixas eletrônicos. É o que determina o projeto de lei 699/15, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no dia 6 de setembro, em segunda discussão. O projeto precisa ser sancionado pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, para virar lei. O texto diz que o empréstimo só poderá ser realizado de forma direta, com o gerente ou funcionário equivalente da agência. Em caso de descumprimento, o banco poderá arcar com sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor, como advertência e multa. Idosos são apontados como as principais vítimas de estelionato dentro dos bancos, por exemplo. O principal conselho é procurar sempre a ajuda de um funcionário da instituição e dispensar a orientação de desconhecidos.

Alguns tipos de golpes aplicados
Casa da praia falsa – Golpe aplicado no final de ano, onde o golpista coloca anúncio em algum site, ofertando uma casa para alugar na praia, com foto e valor convidativo. A vítima entra em contato com o estelionatário, dá uma entrada (sinal) e depois o estelionatário some. O certo é procurar um corretor para evitar ser enganado.

Dados para confirmação – O criminoso mantém contato com vítima via telefone, afirmando ser supostamente ser funcionário de alguma empresa. No contato alega que precisa que a vítima confirme alguns dados para fins de atualização de algum tipo de cadastro. A vítima erradamente informa dados pessoais, como número de documentos e o estelionatário os utiliza para transações comerciais em nome da vítima. Jamais forneça dados pessoais, como documentos, via telefone via telefone para estranhos.

Golpe do envelope vazio – Ocorre geralmente em meio a transações de compra e venda de produtos. O falsário realiza a compra de determinado produto, fazendo o pagamento via depósito em um envelope sem o dinheiro. Ele apresenta o suposto comprovante de pagamento, a vítima entrega o produto, descobrindo mais tarde que sofreu um golpe, pois o envelope estava vazio. Como prevenção o correto é confirmar junto à instituição financeira se o valor depositado foi devidamente descontado ou encontra-se bloqueado, nesse último caracteriza o golpe.

Problemas com veículo – O estelionatário se passa por parente ou conhecido da vítima, dizendo que está com o carro quebrado e que precisa de dinheiro para o guincho ou para pagar o mecânico. Acreditando que o parente ou conhecido está com dificuldades, a vítima realiza o depósito bancário ou ainda coloca crédito de celular para supostamente realizar contato com a seguradora.

Torpedo anunciando premiação – Nesse golpe, as vítimas recebem mensagens de celular informando que ganhou um suposto prêmio. Ela entra em contato com o número e acaba na verdade colocando crédito para algum número de celular ou mesmo depositando dinheiro em determinada conta. Os estelionatários também utilizam nomes de programas de televisão para enganar as vítimas nesse caso.

Bilhete premiado – Um dos golpes considerados mais antigos. Se aparecer alguém com um bilhete de loteria supostamente premiado, desconfie. O golpista diz que está precisando de dinheiro de maneira rápida e, com a ajuda de outras pessoas, seus cúmplices, engana a vítima que por sua vez dá uma quantia em dinheiro e fica com o suposto bilhete premiado (fictício).

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