Com a chegada do 13º brasileiro espera quitar dívidas

Geovanne Mendes –

Que o país vive uma severa crise financeira, como há muitos anos não era observado, isso todo mundo sabe e sente na pele e principalmente no bolso, prova disso é que o percentual de famílias endividadas no Brasil cresceu de 56,4% em junho para 57,1% no mês de julho deste ano. Pelo menos foi o que indicou uma pesquisa feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado desta gangorra financeira no qual o brasileiro se vê inserido é que o 13º salário ainda nem caiu na conta do trabalhador, mas já tem muita gente buscando nos bancos públicos e privados essa “ajudinha” para quitar compromissos. Em resumo, acaba contraindo dívida para pagar dívidas, algo que os especialistas do mercado financeiro não indicam, apenas em casos extremos. Em pesquisas anteriormente realizadas por diversos serviços de proteção ao crédito foi observado que normalmente, mais de 50% dos consumidores afirmam usar os recursos para este fim.

“É importante ficar claro que uma pessoa endividada, não necessariamente está inadimplente. Estar inadimplente é estar com dívidas com pagamento atrasado. Já endividado é todo mundo que tem um financiamento ou um empréstimo em seu nome, cujo pagamento está em dia”, disse o economista da Boa Vista SCPC, Flávio Calife.

Nas ruas, o tema endividamento é tema delicado, mas não difícil de encontrar pessoas que atravessem este momento de turbulência nas contas domésticas.

“Com o atraso nos nossos pagamentos fui obrigada a pegar cinco empréstimos e agora com o 13º salário tentarei quitar algumas parcelas e me ver livre deste fantasma que tira o sono da nossa família”, disse a servidora do estado Angélica Martins, de 39 anos.

Segundo o economista, o ideal é trocar uma dívida cara por uma mais barata. Por exemplo, se o consumidor está usando o cheque especial ou está pagando apenas o mínimo do cartão de crédito, ou seja, entrou no rotativo, ele pode avaliar a possibilidade de pedir um empréstimo no banco ou um crédito consignado, cujas taxas de juros são menores, para quitar o cheque especial e o cartão de crédito. Mas isso só deve ser feito se de fato for para pagar as dívidas. O que o consumidor não pode fazer é, estando superendividado ou inadimplente, continuar gastando mais do que ganha. O planejamento aqui é a palavra fundamental. Organizar o orçamento para não correr o risco de entrar constantemente no cadastro de inadimplentes, piorando seu histórico de pagamentos.

A maior parte das dívidas dos brasileiros é com cartão de crédito (76,8%), seguido por carnês (15,4%), crédito pessoal (11%), financiamento de carro (10,1%) e financiamento de casa (8%). O tempo médio de atraso nos pagamentos é de 63,1 dias.

De acordo com o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Luiz Viera o fato do consumidor contrair nova dívida para quitar débitos anteriores é uma solução para não ficar inadimplente e com nome restrito para novas compras.

“A CDL acredita que o comprometimento antecipado do 13º salário pode sim influenciar os resultados das compras no final do ano, porém, se o consumidor não estiver com restrições ele conseguirá comprar”, disse.

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