Colégio Liceu Nilo Peçanha será tema de Audiência Pública

O Colégio Liceu Nilo Peçanha, que sempre foi referência de educação pública em Niterói, será alvo de uma Audiência Pública na Câmara Municipal da cidade no próximo dia 17, às 14h. A reunião contará com funcionários, alunos, políticos e secretários para cobrarem do poder público melhorias para a instituição. Falta de climatização, ampliação da equipe de apoio para manutenção e recuperação e preservação do arquivo da escola são algumas das reivindicações que serão cobradas no dia do encontro.

A Audiência Pública foi solicitada pelo mandato do vereador Leonardo Giordano, que também foi aluno do Liceu, com co-autoria do vereador Renatinho (Psol), que ressaltou algumas questões que envolvem o antigo colégio. “As escolas estaduais em Niterói se encontram em situação lastimável, consequência da política de sucateamento da educação pública. O Liceu, uma das instituições de ensino mais antigas e tradicionais do estado, encontra-se sem climatização, com progressiva diminuição de funcionários e com o elevador, fundamental para a mobilidade, quebrado por falta de manutenção. Essa situação, relatada pela comunidade escolar, levou nosso mandato a requerer uma audiência pública para debater soluções, provocando o poder público competente. Na visita técnica que fizemos semana passada, constatamos outros problemas ainda mais graves, que põem em risco a integridade e a segurança do prédio e dos alunos”, explicou o Giordano.

A aluna do segundo ano, Mellanny Teixeira de 16 anos, contou que a falta de funcionários atrapalha na administração e conservação da escola. “Tem um funcionário para limpar a escola toda. É claro que ele não vai dar conta e os banheiros vão ficar sujos. A alimentação não é como antes, o bebedouro não tem água gelada e uma série de problemas que estamos convivendo todos os dias”, contou. A professora de Língua Portuguesa, Cristina Rocha de 55 anos, contou como essas questões atrapalham o aprendizado. “Faltam equipamentos básicos para o trabalho. O calor é insuportável e trabalho há oito anos na rede estadual e nunca vi uma situação como essa”, frisou.

De acordo com o vereador, além dessas questões, como a climatização de todas as salas de aula, laboratórios e biblioteca; outros pontos também serão expostos e cobrados para o poder público. São eles: sistema de ventilação na quadra coberta e refeitório; vistoria e manutenção das instalações elétricas e substituição das mesmas caso seja necessário para evitar sobrecarga (especialmente se o colégio for climatizado); adequação das instalações às normas atuais de segurança, como a criação de rota de fuga; atualização das plantas do colégio; retomada dos espaços do colégio que foram ocupados por outras instituições, como quadra, laboratórios e casa anexa (caso não seja possível, que a escola receba as contrapartidas devidas); recuperação e preservação do arquivo; conserto ou substituição do elevador para acessibilidade ao segundo pavimento; ampliação da equipe de apoio e manutenção conforme as necessidades do colégio; respeito aos direitos trabalhistas dos funcionários terceirizados; execução das melhorias com a participação da comunidade escolar em todas as etapas do processo e criação de um banco de dados com todas as informações sobre os processos de reforma da escola para consulta da comunidade escolar.

A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) foi questionadas sobre essas questões mas não se manifestou sobre o assunto até o fechamento dessa edição.

AUDIÊNCIA
Várias pessoas do segmento da educação foram convidadas para a Audiência Pública como o Secretário Estadual de Educação (Pedro Fernandes); as deputadas federais Jandira Feghali e Talíria Petrone, a representante do Projeto “Ajeita o Liceu”(Ana Clara Cunha Sisterollli), a diretora do colégio (Ana Maria Queiroz), representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) e da União Estadual dos Estudantes (UEES) além dos deputados estaduais Flávio Serafini (presidente da Comissão de Educação) e Waldeck Carneiro (presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da ALERJ).

VISTORIA
No último dia 10 o deputado Waldeck Carneiro esteve na unidade, que fica no Centro de Niterói, junto com Giordano e disse ter ficado impressionado com os problemas que identificou, que segundo ele, o prédio corre risco de incêndio. “Em qualquer país minimamente preocupado com sua memória, o Liceu seria tratado a pão de ló. Estamos falando do Liceu Imperial, uma joia da história da educação brasileira, prédio construído no início do século XIX para sediar a primeira Escola Normal da América Latina, onde estudou Lima Barreto, por exemplo. A área que abriga o arquivo está completamente desfigurada e sem condição nenhuma de armazenar documentos. É inadmissível que esse patrimônio histórico, educacional e arquitetônico esteja relegado ao quadro de abandono em que se encontra. (…) Esse movimento surge da organização de estudantes, professores e da própria direção da escola, que provocaram a Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa, e essa organização teve eco. Agora nos cabe provocar as autoridades executivas diretamente responsáveis pela preservação do Liceu”, frisou Waldeck.

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