Colégio estadual volta a ser ocupado em Niterói

Cerca de 30 alunos estão ocupando desde a última sexta-feira (10) no prédio do Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto, localizado no bairro de São Lourenço, em Niterói. Eles estão dormindo nas salas de aula e preparando as próprias refeições na cozinha da escola. O objetivo dos alunos é exigir que a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro volte atrás na decisão de extinguir o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que era oferecido no turno da noite na instituição. Segundo os alunos, um processo de diálogo foi aberto com a diretoria da escola e a secretaria de educação, porém, sem sucesso e , a alternativa dada, segundo os alunos, seria a transferência para o Colégio Estadual Raul Vidal, no Centro de Niterói, o que não é aceito pelos estudantes, que prometem não deixar nenhum outro turno entrar na escola, caso a decisão não seja revertida e eles possam continuar a estudar na mesma unidade.

“Estamos conversando com todos os envolvidos, direção, estado e nada. Já fizemos passeatas no ano passado e não somos ouvidos. Trabalhamos durante o dia e estudamos aqui pela noite, moramos nas redondezas e seria impossível se deslocar para outra escola. Isso é uma covardia, nos sentimos humilhados . A diretora da escola nos afronta, não nos escuta e não se importa com o fim do EJA neste colégio”, comentou o aluno Marcos dos Santos.

Aluna do EJA, Ana Beatriz Bastos, de 21 anos, diz que a ocupação tem como objetivo conscientizar toda a sociedade sobre a importância do programa de ensino, já que o fechamento prejudica inclusive adultos das comunidades vizinhas, que nunca tiveram oportunidade de aprender, terem acesso à educação.

“Esse curso atende jovens e adultos, pessoas que nunca tiveram oportunidades na vida podem chegar de um dia cansativo de trabalho e atravessar a rua e vir para cá estudar. O fim do EJA aqui vai trazer um atraso ainda maior no desenvolvimento da nossa sociedade. Lamentável!”, concluiu a jovem estudante.

Os alunos também denunciaram o estado de alguns espaços da escola, como lixo espalhado pelo pátio e uma sala com telhado quebrado e garantem que realizaram um mutirão entre eles para solucionar os problemas.
“Iremos limpar e cuidar de toda a escola, aqui é a nossa casa e iremos lutar para que ela seja sempre limpa e arrumada”, ressaltou um dos alunos manifestantes.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) esclareceu que o Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto oferta Ensino Médio de Referência – no qual o aluno tem acesso a um currículo com nova proposta pedagógica – e também contava com a Educação para Jovens e Adultos (EJA). Neste ano, 23 alunos da EJA e dez do Ensino Médio Regular, do turno noturno, serão absorvidos pelo Colégio Estadual Raul Vidal. Essa absorção progressiva já fazia parte do planejamento pedagógico da escola.

A nota diz ainda que o colégio aderiu ao Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral para o Ensino Médio, do Ministério da Educação (MEC) e ofertará, neste ano, disciplinas vocacionadas ao Empreendedorismo e os alunos terão carga horária adicional de Português, Matemática e Inglês.

Contudo, a Secretaria de Educação não se manifestou a respeito de negociações com os alunos e não respondeu sobre como ficará o calendário da escola com a ocupação.

Paralisação cancelada
O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de Niterói decidiu em assembleia extraordinária realizada na noite de ontem, com profissionais das escolas municipais de Niterói que não irá optar pela paralisação de 24 horas que estava prevista para amanhã. Os profissionais da educação da cidade pleiteiam o adiamento da anexação da gratificação, que seria paga no mês passado, para 2020 e o aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14% que estão no pacote de reajuste fiscal proposto pelo prefeito Rodrigo Neves. No entanto, a greve do dia 8 de março está mantida.

Situação crítica em Rio Bonito
E ontem profissionais de educação do município de Rio Bonito publicaram uma Carta Aberta endereçada a alunos, responsáveis e toda a população riobonitense.

Na carta de 31 linhas, os profissionais pedem ajuda para que todas as condições trabalhistas sejam respeitadas pelo governo municipal, como: melhora na infraestrutura das escolas e a garantia de que os salários sofram um reajuste já que segundo eles, o município tem o pior salário do Estado do Rio de Janeiro.

“Nós, funcionários e professores da rede Municipal de Educação de Rio Bonito, estamos nos mobilizando para que possamos ter condições físicas, materiais e psicológicas de desempenharmos nossa função: atuar no serviço da comunidade escolar, lecionar, da maneira que nossas crianças, jovens e adultos precisam e merecem. Atualmente, nosso município tem um dos piores salários do Estado do Rio de Janeiro, professores com formação no magistério tem o vencimento-base de *R$788,00* e professores com formação no ensino superior tem o vencimento-base de *R$899,00*, ambos abaixo do salário mínimo nacional e abaixo do piso nacional para o magistério. Um verdadeiro absurdo. Apesar do salário pífio e diversas outras irregularidades que têm feito nossa categoria sofrer, trabalhamos ao longo de todo o ano com dedicação. Ainda assim, a prefeitura não tem cumprido com a sua primeira responsabilidade que é pagar seus servidores”, diz a carta.

A Prefeitura de Rio Bonito foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

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