Cobiça e magia negra no triplo homicídio

Augusto Aguiar

Agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí prenderam, na noite de quinta-feira, mais um suspeito de assassinar Soraya Gonçalves de Resende, seu marido e a filha do casal, no Barro Vermelho, em São Gonçalo. Diego Moreira da Cunha, de 23 anos, estava em Saquarema, na Região dos Lagos. Ele, segundo investigações, seria um dos atiradores. Na residência onde o suspeito estava foram encontradas três armas. Os investigadores também encontraram o veículo que teria sido usado na noite do crime, um Chevrolet Prisma de cor prata.

De acordo com a polícia, as armas e o veículo serão periciados. Um outro suspeito, que seria o segundo atirador, Gabriel Botrel de Araújo Miranda, de 19 anos, e a suposta mandante do crime Simone Gonçalves de Resende, estão foragidos. Gabriel seria instrutor de tiro e teria usado um pedaço de pano como adaptação de um silenciador de uma arma no momento da execução.

Irmãos presos  1 - IMG_0085

Seis dias após a Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí passar a investigar o bárbaro assassinato do advogado Wagner Salgado, da mulher Soraya Gonçalves Resende e da filha do casal, Geovanna Resende, de 9 anos, a polícia não apenas confirmou a principal linha de investigação da especializada – de que as execuções estavam ligadas a uma disputa judicial por uma herança avaliada em R$ 7 milhões em imóveis e um posto de combustíveis – como também na trama de morte até ritual de magia negra foi colocado em prática.

O plano macabro foi arquitetado em Saquarema, Região dos Lagos, e executado no bairro Barro Vermelho, em São Gonçalo. Entre a madrugada e o fim da manhã de quinta-feira, a DHNSG colocou atrás das grades os irmãos gêmeos Matheus Resende Khalil e Lucas Resende Matheus, de 23 anos, sobrinhos do casal assassinado, na madrugada do último dia 17.

Convencido pelo pai (ex-marido de Simone), Matheus acabou interligando os “pontos” que faltavam na investigação conduzida pelo titular da especializada, delegado Fábio Barucke, e sua aquipe. Ainda na manhã de ontem, devido ao cerco policial na Região dos Lagos, Lucas se entregou na 124ª DP (Saquarema) e foi conduzido para a sede da DHNSG.

De acordo com o que a DH apurou, na madrugada do dia 17 um dos filhos de Simone (Matheus), a princípio alegando não saber o que estaria ocorrendo, foi orientado por ela a se deslocar de carro até a frente do prédio disputado judicialmente pela família há cerca de 20 anos, e onde família do advogado Wagner Salgado residia – na Rua Aurélio Pinheiro – e lá teria recebido a ordem de aguardar a chegada de mais duas pessoas. Por volta das 03 horas um adolescente e um homem (os dois executores) chegaram ao local e Matheus afirmou ao delegado que também foi orientado pela mãe a levar a dupla até o apartamento da avó, por onde os executores acessaram o apartamento vizinho, onde dormiam Wagner, a mulher e a filha. Matheus alegou que não sabia o que estava prestes a ocorrer. O pai de Matheus orientou o filho (que mora com ele em Rio das Ostras) a não esconder a verdade dos policiais.

Em seguida os dois assassinos invadiram o imóvel e covardemente executaram as três vítimas a tiros de revólver calibre 38 e pistola calibre 380, armas teoricamente fornecidas pelo irmão gêmeo de Matheus (Lucas), que anteriormente a polícia desconfiava que estava na cena do crime. Lucas residia com a mãe em Saquarema. “Não havia silenciador (conhecido como supressor) na arma. Chegamos a pensar nisso, pois a princípio nenhum vizinho afirmou ter ouvido barulho de tiros, mas na verdade foi o temor de serem envolvidos de alguma forma como testemunhas”, explicou o delegado assistente da DHNSG, Marcus Amin. Logo depois, Matheus, que aguardava na frente do prédio, foi orientado a retirar os assassinos do local e levá-los para Saquerema, de onde todos vieram separadamente. “Ele (Matheus) no mínimo facilitou a entrada e deu fuga aos assassinos. Ele alegou que teria sido vítima da ação da mãe e Lucas não teria aparecido no local, mas caracterizou ganância, pois além de fornecer as armas usadas no crime (não haviam sido localizadas até a tarde de ontem), ainda queria vendê-las, por isso todos os acusados estão sendo indiciados por três homicídios triplamente qualificados, que prevê penas que totalizam até 100 anos de prisão”, afirmou Fábio Barucke.

Os dentes fariam parte de um ritual de magia negra”

Na manhã seguinte ao crime, após a DHNSG ser acionada para o local e durante o trabalho de remoção dos corpos que chocou os moradores do bairro, muitos viram abraçados (aparentado suposto estado de choque) Simone e Lucas junto a outros moradores. A princípio nem mesmo a polícia desconfiava que a “chave”da elucidação do crime estava tão perto, mas rapidamente a especializada chegou as circustâncias exatas e principais acusados, com ingredientes ainda mais macabros do que se caracterizava. O delegado se referiu a eles como rituais de “magia negra”.

Apuramos que Simone seria adepta de práticas de magia negra, que teria colocado em prática na cena do crime. Com relação aos dentes que encontramos na cena do crime, próximo onde os corpos das vítimas foram achados, pensávamos inicialmente que teria ocorrido uma suposta briga entre os executores e um deles teria sido baleado na boca. Também encontramos vestígios de sangue incompatíveis com o das vítimas. Os tais dentes não eram das vítimas. Depois fomos informados que um dos assassinos foi orientado a colocar os dentes no local, o que simbolizaria no posse nesse ritual. Não sabemos de onde vieram esses dentes”, explicou Fábio Barucke.

Ainda na manhã de ontem o delegado assistente Marcus Amin também comentou, de forma mais estarrecedora, o mesmo assunto. “ Os dentes, em alguns rituais, podem estar relacionados a posse e escravizar a almas das pessoas. Seriam rituais de magia negra afroamericanos que teriam sido feitos antes e depois do crime.Também apuramos que teria ocorrido uma suposta discussão entre os próprios executores sobre se a menina seria morta ou não. Na madrugada do dia 17 para 18, Simone foi convocada a prestar depoimentos aqui na sede da DHNSG. Fomos informados ainda que quando ela estava deixando esse prédio nesse dia teria dado uma gargalhada, afirmando que os problemas dela haviam sido resolvidos” .

O delegado Fábio Barucke afirmou ontem que os bens das famílias que estão em disputa na Justiça estão sendo bloqueados, assim como o dinheiro dos aluguéis usado por Simone, beneficiada com a morte do pai. Barucke adiantou que possivelmente familiares do advogado Wagner (falecido) poderiam passar a ser os novos beneficiários da herança avaliada em R$ 7 milhões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

doze + onze =