Clube Pró-Cubango fecha as portas para dar lugar a prédios

No lugar de quadras de campos de futebol de salão, vôlei e badmington um condomínio com vários apartamentos. Tradicional ponto de encontro de niteroiense, o complexo de lazer do Clube Centro Pró-Cubango, localizado na Rua Noronha Torrezão, 682, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte de Niterói, vai fechar as portas por falta de receita. O presidente da instituição, Ademir Carlos Pereira, convocou os sócios-proprietários para convenção extraordinária no dia 6 de junho, às 18h, para discutir e aprovar medidas a serem tomadas relativas ao salão social, o imóvel anexo, à quadra de esportes e a área total do imóvel, que estão alugados a terceiros, além do encerramento das atividades do clube, por incapacidade de atender as despesas de manutenção do patrimônio. A direção alega que não há qualquer pagamento da taxa de conservação há vários anos.

Segundo informações, o clube vai dar lugar a prédios residenciais e comerciais. As atividades se encerram no fim deste mês, após a negociação do imóvel com duas grandes construtoras. É o que vem acontecendo com os tradicionais clubes da cidade. Outro que recentemente teve as portas fechadas foi o pequeno Barradas Social Clube, fundado em 1963 no Barreto, na Zona Norte, que possuía 300 sócios, mas em meados de 1990 teve que fechar as portas, reabrindo 20 anos depois por decisão de membros saudosistas que não se conformavam com o fechamento do espaço.
“O Clube Barradas sempre foi humilde, nunca tivemos nada demais, apenas um salão de festas, mas que era super frequentado. Com os novos condomínios surgindo na cidade, com salão de festas próprio, os nossos eventos simplesmente desapareceram. Há cinco anos retornamos, reformamos o salão e estamos tentando sobreviver”, comenta o diretor do clube, Ivan Barbosa.

O caso do Barradas foi apenas uma ilustração para se entender melhor como tudo começou, atingindo primeiro os clubes pequenos. Mas o boom imobiliário foi avançando e na última década teve o seu maior expoente. Agora com piscinas, sauna, churrasqueira e academia, os prédios que brotavam principalmente na Zona Sul da cidade se transformaram em rivais dos clubes.

O primeiro a sofrer com o assédio das imobiliárias e construtoras foi o Icaraí Praia Clube, que depois de muitos problemas financeiros não resistiu e deu lugar a um condomínio de luxo. Outro que também cedeu o espaço para o mercado imobiliário foi o Clube Italiano, no Cafubá, Região Oceânica. Durante uma entrevista, o então presidente e fundador, Pietro Polizzo, culpou as grandes infraestruturas dos condomínios como responsáveis pela decadência dos clubes na cidade. “Fica muito difícil sobreviver ao boom do mercado imobiliário com condomínios que oferecem o que há de melhor em lazer”, disse o fundador do clube, que em 2013 tinha apenas 100 sócios pagantes.

Os clubes Marajoara Society, no Fonseca, e Italiano, em Piratininga, foram outros que encerraram as atividades. O Fluminense Atlético Clube, no Centro, é um exemplo de investidas intermináveis de imobiliárias. Apesar dos cerca de 180 sócios, o clube buscou alternativas, como a criação de um estacionamento rotativo e aluguel de espaço para uma antena de telefonia celular, para conseguir se manter de portas abertas e não encerrar uma história que remonta o ano de 1913.

Situação complicada vive o Clube de Regatas Icaraí, que desde 2014 se vê enrolado em uma disputa judicial, que definirá se a administração poderá ou não vender o imóvel para uma construtora. Na época especulava-se que o prédio já havia sido vendido por R$ 40 milhões, o que foi negado pela administração. Fundado em 1895, o Regatas chegou a ter 500 sócios nos tempos áureos. Hoje, os 200 sócios pagam uma mensalidade de R$ 200.

Fundado no dia 14 de novembro de 1913, o tradicional Clube Canto do Rio, no Centro, também vem sofrendo com a concorrência dos novos condomínios. Hoje são apenas 600 sócios pagantes e uma dívida que dobrou em quatro anos, hoje chegando aos R$ 5 milhões.

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