Clube de Regatas Icaraí aguarda decisão judicial para vender prédio

Geovanne Mendes –

Respirando sem dificuldades na UTI, assim pode ser definido o tradicional Clube de Regatas Icaraí, localizado na orla da praia que leva o mesmo nome do clube, na Zona Sul da cidade. Um imbróglio jurídico sobre a venda e desocupação do imóvel onde funcionam as instalações do clube se arrasta desde 2014, quando um grupo de 20 sócios ajuizou uma ação para impedir a venda no valor de R$ 40 milhões para uma construtora. O terceiro mais antigo espaço social da cidade, com 122 anos, aguarda para os próximos meses a resolução da medida que impede qualquer tentativa de negociação do local.

Essa semana, um restaurante, que funcionava há cinco anos nas instalações do clube e que atendia os cerca de 200 sócios restantes e o público em geral, fechou as portas e rescindiu o contrato que mantinha com o clube. Segundo informações da presidência do Regatas Icaraí, o motivo do fechamento foi a queda de clientes devido a situação financeira do país, que retraiu o desejo do consumidor de fazer as refeições fora de casa, atingindo em cheio o estabelecimento. Ainda de acordo com o presidente Alfeu Cavararo, o clube não possui dívidas, tendo suas contas equilibradas, aguardando apenas o desenrolar jurídico para reiniciar o processo de negociações. Segundo ele, o clube e suas instalações estão funcionando normalmente.

“É bom deixar claro que não concluímos a venda de R$ 40 milhões para a construtora, como muitos acreditavam. Estamos no aguardo da decisão dos prazos recursais junto a Justiça para definição do negócio, que pode ocorrer em duas semanas ou dois meses, não temos previsão. Os nossos sócios estão utilizando normalmente todas as nossas instalações, como sempre fizeram, com piscina, sauna, etc”, comentou o presidente do clube.

Fundado em 1895, o Regatas Icaraí já teve cerca de 500 sócios no auge de sua fama, sofrendo impactos dos modernos condomínios e residenciais que foram erguidos em Niterói na última década, principalmente. Hoje os 200 sócios pagam uma mensalidade de R$ 200. O clube nasceu do esforço de um pequeno grupo de apaixonados pelo remo, que reunia nomes como o almirante Ary Parreiras, seu sucessor no governo do estado, Newton Cavalcanti, e o arquiteto Orlando Campofiorito, responsável pelo projeto de sua sede. No século passado, o clube foi um celeiro de atletas de remo e, posteriormente, se destacou ao formar talentos da natação. Contudo, entrou em decadência desde o fim da década de 90 e acumulou dívidas, hoje sanadas, como afirmou o presidente Alfeu Cavararo.

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