Cloroquina: remédio tem presidentes como garotos-propaganda

O surgimento do novo coronavírus pegou o mundo de surpresa. Afinal, como combater a nova doença se não há vacina? Muito se propagou sobre medicamentos que poderiam surtir efeito contra a Covid-19. Daí então entrou em cena a hidroxicloroquina e a cloroquina. Seu grande garoto-propaganda foi o presidente dos EUA, Donald Trump, que logo foi copiado pelo colega brasileiro Jair Bolsonaro.

Desde o início da pandemia no Brasil, Bolsonaro tornou-se um fervoroso defensor do uso da cloroquina para combater o coronavírus. Porém, a eficácia do medicamento jamais foi comprovada. Seu uso contra a Covid-19 já foi descartado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A hidroxicloroquina é indicada para o tratamento de crises agudas de malária, lúpus, artrite e Condições dermatológicas provocadas ou agravadas pela luz solar. o remédio pode provocar efeitos colaterais graves, como problemas cardíacos, e ainda aumentar o risco de morte em pacientes com o novo coronavírus.

Por conta da obsessão do presidente pelo medicamento, o Ministério Público Federal (MPF), através do subprocurador-geral Lucas Furtado, solicitou ao tribunal de Contas da União (TCU) para apurar se houve superfaturamento na compra de insumos para a fabricação da droga pelo Exército.

Na alegação, o MPF deseja saber “qual é a responsabilidade de Bolsonaro na decisão de aumentar expressivamente a produção de cloroquina sem que haja comprovação médica ou científica de que o medicamento seja útil para o tratamento da Covid-19”.

Sem abrir licitação, o Brasil comprou da Índia os insumos, que custaram seis vezes mais que o valor pago pelo Ministério da Saúde no ano passado. Finalizada no Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército, a produção do comprimido aumentou 84 vezes nos últimos meses em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o MP.

“Todo estudo científico produzido relatava a ineficácia da droga contra a Covid”, disse Furtado.

Se as irregularidades forem comprovadas, o presidente da República poderá sofrer diversas sanções, como multas e pagamento pelo dano causado.

“Os responsáveis devem ser penalizados na forma da lei, especialmente se há suspeitas de superfaturamento na aquisição de insumos”, pontua o documento do MPF.

Alheio a tudo isso, na última quinta-feira (6), Jair Bolsonaro afirmou, em uma transmissão pelas redes sociais, que o Brasil tem hoje um estoque reduzido de comprimidos do medicamento. Ele garantiu que poderá ligar para Donald Trump para pedir uma nova remessa de cloroquina.

“Aceitei do presidente Trump a doação de 1 milhão de comprimidos, que ainda não foram distribuídos porque a cartela deles tem 100 comprimidos. Se nós tivermos necessidade aqui de mais comprimidos, pode ser que haja mais necessidade, eu não tenho problema nenhum de ligar para o presidente norte-americano. Caso tenha, manda para nós, a gente manda um avião buscar ou ele manda um avião para cá e a gente distribui esse material aí”, disse.

Apesar da ineficácia da medicação no combate à Covid-19, Bolsonaro declarou na transmissão ao vivo que se recuperou da Covid-19 graças ao uso da hidroxicloroquina, assim como muitos de seus ministros, segundo ele.

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