Clínica rebate críticas de tratamento

Raquel Morais

“Os doentes custam para o Estado e se eles morrerem acabam despesas públicas com o Sistema Único de Saúde e Instituto Nacional do Seguro Social”. Esse foi o desabafo do diretor geral da Clínica de Saúde Alfredo Neves e do Instituto Frederico Leomil, Arídio Martins, ambos localizados no mesmo local em Santa Rosa. O responsável administrativo da casa de saúde desabafou sobre as acusações frequentes que vem recebendo de maus tratos de pacientes com problemas psiquiátricos internados no local. O caso foi parar no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a ação civil pública (ACP) tramita na 1ª Vara Cível de Niterói. O objetivo é desinstitucionalizar a clínica e remover todos os pacientes.

Ao todo são 70 pessoas acolhidas pelo SUS, sendo 53 homens e 17 mulheres, que recebem tratamento integral na unidade. A Prefeitura de Niterói explicou que, em audiência realizada judicialmente com a Secretaria Estadual de Saúde e a Fundação Municipal de Saúde (FMS), ficou acordado o desenvolvimento de um Plano de Ação visando a desinstitucionalização nas instituições privadas. Porém a administração municipal ressaltou que teria que realizar visitas diárias aos locais, com a tarefa de avaliar cada caso, mas a direção do local está impedindo que as equipes realizem o trabalho adequadamente.

Arídio Martins rebate a informação. “Normalmente são 10 pessoas que ficam o dia inteiro, de segunda a sexta, dentro da clínica. A fiscalização pode entrar lá para vistoriar quando quiser”, apontou. A prefeitura também apontou em nota que o repasse do SUS está mantido dentro do prazo previsto, como consta no Plano de Ação, em que cabe ao gestor municipal garantir a regularidade do repasse financeiro. “O pagamento não está em dia e o último mês pago foi agosto, sendo que o repasse do Ministério da Saúde já foi creditado no último dia 8 e até agora não recebemos”, reforçou.

Também circula na internet fotos de pacientes amarrados pelas mãos em condições de maus tratos e relatos de falta de alimentos na unidade. “É mentira que tenham maus tratos, têm câmeras dentro da casa de saúde e se houvesse maus tratos estariam registradas nas imagens. As fotos que circulam na rede foram feitas no setor feminino e lá não tem câmera por causa da individualidade da mulher. Não está faltando comida mesmo com a falta de verba e os pacientes fazem cinco refeições por dia”, pontuou o diretor.

Sobre a desinstitucionalização, Arídio também se posicionou para a reportagem de A TRIBUNA. “Existe uma lei da década de 90 para acabar com os hospitais psiquiátricos. Sou contra essa iniciativa para aquele que não tem assistência da família e sou a favor daquele que tenha família e poder aquisitivo para se tratar em casa”, pontuou.

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