Ciro Gomes visita redação de A Tribuna

Wellington Serrano

Aos 59 anos de idade e 37 de vida pública, o pré-candidato do PDT à Presidência da República em 2018, Ciro Gomes visitou na tarde de ontem a redação de A Tribuna e participou de uma transmissão ao vivo na página do jornal no Facebook. Na ocasião, o presidenciável falou sobre o desemprego em massa, a crise econômica e o que está impedindo o país de crescer. Ele deu as pistas de um novo projeto nacional de desenvolvimento para inverter essa lógica trágica que atola o país desde 1980.

Sobre o atual momento do Brasil, Ciro Gomes disse que está chocado. “Já fui deputado estadual duas vezes, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda e da Integração Nacional e deputado federal, e nunca vi ao longo da minha vida pública uma situação como essa de anarquia, de baderna, de degradação moral, política e econômica como essa que hoje pesa sobre as costas da família brasileira. Pela primeira vez na história um presidente da República é processado por corrupção passiva e faz do Palácio do Planalto não um lugar onde se reúne as inteligências do país para tomar decisões que resolvam as nossas equações econômicas e sociais, mas sim um bunker de resistência para garantir a sua impunidade subornando parlamentares para impedir que o supremo examine as suas culpas”, disse o pedetista.

Para o primeiro vice-presidente nacional do PDT, é preciso interromper o que ele chama de “processo de desindustrialização” e retomar uma “industrialização forçada”, com forte incentivo por parte do Estado aos setores produtivos. “Nós estamos regredindo e hoje nós temos, no PIB da indústria, o equivalente ao que tínhamos em 1910, em torno de 8%, o que já chegou a um terço do PIB”, criticou.

Ciro Gomes falou sobre os estaleiros nacionais e disse que existe um desiquilíbrio externo com as compras que estão sendo feitas pela Petrobras no estrangeiro e que desvalorizam a moeda brasileira. “Reconhecemos que licitar sem o conteúdo local é ilegal e quebra contratos”. Segundo ele, o país tem potencial competitivo. “Deveríamos estar alargando as potencialidades e usar as compras governamentais direta e indiretamente para reforçar as empresas no Brasil para reforçar esse quadro”, afirmou.

O ex-ministro da Integração Nacional, afirmou que a reforma da Previdência Social não é uma agenda positiva, mas é inevitável. Ele lembrou que o déficit previdenciário atualmente é de R$ 27 bilhões e que chegará a R$ 60 bilhões em 10 anos, se nada for feito. “A demografia brasileira exige que coloquemos as finanças da previdência para o futuro sem pressa porque hoje não é verdade o déficit na previdência. O governo diz essa mentira grosseira porque quer tirar 30% de todos os recursos da previdência para pagar os agiotas”, observou.

Sobre a crise que assola o Rio de Janeiro, o presidenciável disse que vai assumir o compromisso como presidente eleito de chamar o governante também eleito para consolidar o passivo do Estado. “O Brasil precisa que o estado restaure a sua condição de sobrevivência para haver equilíbrio na federação. Isso prejudica o país inteiro. Isso será uma prioridade”, realçou.

O ex-ministro afirmou que o PT não está morto, mas “quem está em final de ciclo é o Lula”. Ele disse que o ex-presidente “brincou de Deus e se queimou”.
“Com o Lula o salário-mínimo subiu de U$ 76 dólares a poder de compra para U$ 320. É verdade que ele baniu a fome e por isso tem meu respeito pela sua passagem pela Presidência da República, mas daí por diante ele desertou o país ao não fazer o Brasil avançar através de uma reforma e ao impor a chapa Dilma-Temer, que agora estamos vendo na prática o que está acontecendo”, lamentou.

Hoje no PDT, Ciro diz que já passou por vários partidos e até afastou-se por um tempo da política ao trabalhar como alto executivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Advogado e professor universitário, passou um ano e meio estudando economia em Harvard, uma das melhores universidades dos Estados Unidos. “No PDT estou muito feliz. Nunca fui tão estimulado neste partido que pretendo encerrar a minha carreira pública”, concluiu. A entrevista completa de Ciro Gomes pode ser acessada na página de A Tribuna no Facebook, no endereço www.facebook.com/atribunarj.

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