Circuito da Laranja oferece passeio interativo em Tanguá

Camilla Galeano

Já pensou em conhecer todo o processo de cultivo da laranja, da plantação até a colheita, e ainda desfrutar de doces e produtos alimentícios variados e caseiros? Tudo isso é possível no Circuito da Laranja. Um passeio que faz parte do calendário cultural do município há mais de 10 anos e que leva em média, quatro mil turistas por ano à cidade. Com a pandemia, as atividades estão fechadas aos visitantes, mas os produtores locais continuam trabalhando.

Elaine Biral, diretora de turismo do município, explicou que Tanguá é o primeiro produtor de laranja do estado e todo o passeio é voltado para a área rural.

“Aqui, o visitante tem a oportunidade de conhecer um pomar, colher e degustar a fruta, além de visitar algumas propriedades rurais, e ainda comprar produtos agrícolas e artesanais. Muitas pessoas nos procuram, nosso público principal é de Niterói e do Rio de Janeiro”.

O passeio que é sempre feito entre maio e o final de outubro, época da laranja, dura o dia todo. O trajeto começa quando o grupo de visitantes é recebido no portal de entrada da cidade. A primeira parada é no Centro onde os artesãos locais apresentam trabalhos artesanais exclusivos e diversificados. Os turistas podem comprar peças de biscuit, crochê, madeira, pinturas, costura criativa, bijouterias, acessórios decorativos, entre outros.

Após essa parada, o grupo segue até a Posse dos Coutinhos onde acontece o café da manhã rural, recheado de quitutes da roça como empadão, escondidinho de carne seca, pão caseiro, aipim e banana da terra cozidos, queijo minas e geleias.

A Casa da Farinha do Sítio Rocha recebe o grupo e explica como é a transformação do aipim em uma das mais saborosas farinhas da região, e num segundo momento o visitante tem a oportunidade de fazer sua feirinha semanal.

Quando chega a hora do almoço, além da comida toda feita na lenha, os turistas são presenteados com a calmaria da natureza próxima ao local. A visita é encerrada  com a parte mais esperada, que é a visita ao Pomar. As pessoas recebem o material para que eles mesmos possam participar do processo de colheita.

Quem ficar interessado e quiser participar das atividades rurais, vai precisar aguardar até que a taxa de contaminação pelo coronavírus tenha diminuído.

“Nós recebemos uma média de três ônibus de turismo por dia. E nosso público é mais idoso. Vamos aguardar que o panorama da vacinação mude as coisas e os casos possam diminuir, para que assim possamos retornar com segurança. Não posso garantir quando isso vai acontecer. Mas vamos aguardar uma notícia mais positiva em relação ao contágio para oferecer um passeio seguro para todos”, disse Elaine

O secretário de Cultura e Turismo de Tanguá, Reginaldo Garcia Serrano, falou da importância econômica desse tipo de atividade para o município.

“O circuito da laranja contribui para o crescimento principalmente da nossa área rural. Com ele é possível diversificar as atividades do campo, gerar emprego e renda para os agentes envolvidos direta e indiretamente nele. Porque além do produto turístico que oferecemos, há também produtores que nos procuram para comprar mercadorias como queijo, mel, doces em compotas, geleias, farinhas, de outros produtores e revendem. Existem também as contratações para prestação de serviços feitas para atender ao turista. Com isso contribuímos para evitar o êxodo rural, que é um agravante das comunidades rurais do nosso país”,disse.

De acordo com Elaine, apesar de sofrer muito com a pandemia, o setor de turismo no município presa pela saúde de todos.

“Não sei te precisar quando retornamos com o Circuito. Estamos com uma expectativa de retorno,mas prezamos pelo cuidado não só dos turistas,mas também das pessoas da nossa cidade,os funcionários que estarão atendendo essas pessoas”.

Indicação geográfica

A certificação de indicação geográfica atesta a origem do produto e indica uma qualidade diferenciada, o que valoriza o alimento no mercado. Os produtores locais fizeram a solicitação da indicação geográfica no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI)

De acordo com os agricultores, o grande diferencial da laranja de Tanguá é a doçura. Técnicos agrícolas utilizam a unidade de medida chamada brix pra calcular a doçura de um alimento. Laranjas consideradas doces tem de 10 a 12 brix. A de Tanguá tem de 14 a 16. Entre o plantio e a colheita são necessários três anos para que a laranja saia com o sabor único.

Segundo a Prefeitura de Tanguá, 15% da população da cidade trabalha na lavoura. Nos campos, as especialidades são o aipim, o limão e a laranja, que rende uma colheita de cerca de 11 mil caixas por dia.

Se conquistar a indicação geográfica, a laranja de Tanguá irá se tornar a primeira fruta do estado a conseguir a certificação. No Estado do Rio, o único produto agrícola reconhecido é a cachaça de Paraty.

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