Cinco pescadores continuam desaparecidos após naufrágio

Raquel Morais –

Até essa sexta-feira os cinco tripulantes desaparecidos após a embarcação “Nossa Senhora do Carmo I” naufragar, na última quarta-feira, ainda não tinham sido encontrados. Familiares estão desesperados em busca de informações sobre as buscas dos pescadores, no litoral de Angra dos Reis. O movimento foi grande no Cais 88, na Ilha da Conceição, onde sobreviventes estiveram reunidos novamente, para tentarem informações sobre o ocorrido, além de tentarem pegar documentos na empresa, identificada como pessoa física Altamir Coelho de Souza.

Segundo informações da Colônia de Pescadores Z8, que compreende Niterói e São Gonçalo, e do Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Saperj), a embarcação pesqueira que afundou não era filiada nas entidades. A estudante Laís Carvalho, 16 anos, é filha do pescador João Manoel Martins Moreira, um dos cinco desaparecidos no naufrágio.

“Não tivemos nenhuma notícia e não temos contato com a empresa, a responsável nunca nos dá nenhuma informação. Ontem estivemos na volta dos tripulantes e foi angustiante ver as pessoas voltando, sabendo que meu pai não ia voltar. Meu tio, mestre do barco Pedro Lima, disse que meu pai estava acordado e estava tentando desamarrar uma boia, mas uma onda levou ele. Depois o meu tio perdeu ele de vista”, explicou a jovem, que relatou que o pai era pescador há mais de 30 anos e estava no barco junto com dois sobrinhos e dois cunhados.

Thiago de Souza Alves, de 28 anos, filho de José Alves da Silva, de 50, disse que a angústia nesse momento é a pior companheira. “Não temos notícia e isso é o que mais chateia a gente. É muito ruim ficar nessa situação sem saber o que está acontecendo”, explicou. O pescador trabalhava na mesma empresa há 12 anos.

Fagner Willians, 32 anos, é pescador há 15 anos, contratado pela mesma empresa, e sobrevivente ao naufrágio. Ele contou os momentos de terror que viveu no momento do acidente. “Estava deitado e fiquei sabendo que o barco travou e deu um giro em cima de onde o mar estava quebrando. Nesse momento entrou uma grande onda no barco e começou o desespero. Coloquei o colete salva vidas e em menos de três minutos o barco afundou e a tripulação estava no mar”, comentou.

Ele ainda disse que um amigo não conseguiu usar o colete e pegou um galão para flutuar. “Ficamos em oito pescadores juntos, mas o clima era de muito nervosismo e pânico. Ficamos duas horas esperando socorro e depois disso conseguimos ajuda. Nunca mais eu entro em um barco para pescar, vou mudar de profissão”, complementou.

Junto com Fagner, os amigos Paulo Vicente Pereira, 55 anos, e Alessandro da Costa, 32 anos, também estiveram no Cais 88, mas não estavam em condições de conversar com a imprensa.

Familiares informaram que entram constantemente em contato com o escritório responsável pela embarcação, mas disseram que não são informados sobre nada. A equipe de reportagem de A TRIBUNA também entrou em contato com a empresa, mas uma funcionária se limitou a dizer que a prioridade é atender a tripulação, não confirmando o nome da empresa e encerrando a conversa.

POSICIONAMENTO DA MARINHA

A Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 1º Distrito Naval, informou que o Navio-Patrulha “Macaé’ continuou com as buscas aos cinco desaparecidos durante toda a madrugada, utilizando radares e busca visual, e aeronaves da MB e da Força Aérea Brasileira suspenderam as buscas ao Pôr do Sol e retomaram ao amanhecer da sexta-feira.

DETALHES DO ACIDENTE
Dezoito tripulantes da embarcação pesqueira “Nossa Senhora do Carmo I”, sobreviveram ao naufrágio. O barco tinha 23 pessoas a bordo e estava na região de Angra dos Reis, a cerca de 70 km da Ilha Grande, após período de pesca no litoral Itajaí, em Santa Catarina. O grupo foi resgatado pela embarcação “Costa Amêndola” e levado até o porto da Ilha da Conceição na noite de quinta-feira. Segundo nota, no momento do desembarque uma equipe da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) foi até o local prestar apoio aos resgatados, que estavam bem de saúde, apenas com ferimentos leves. As causas e responsabilidades do ocorrido serão apuradas em inquérito instaurado pela Marinha do Brasil.

DESAPARECIDOS
João Manuel Mendonça de Abreu, o Tôro
José Alves da Silva, o Pará
João Manoel Martins Moreira, o Pinóquio
João Perestrero, o Pedrada
Márcio Braga

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