Cidade traça perfil de mulheres violentadas

A violência contra a mulher não escolhe classe social, idade, religião ou etnia. Um monitoramento do Serviço Social do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Macaé traçou o perfil desse público e seus agressores, entre janeiro e março deste ano. A ideia, a partir da análise de 15 categorias, é traçar estratégias de atuação.

No primeiro semestre foram realizados 2.397 registros enquanto em todo o ano passado a marca é de 3.971. Para a coordenadora do Ceam, Jane Roriz, o aumento dos casos pode estar relacionado ao acesso às informações. “O objetivo da Lei Maria da Penha é a prevenção. Essas mulheres estão conhecendo a rede de proteção e, com isso, se sentem mais empoderadas para denunciar”, revela Jane.

O estudo analisou 188 processos dos três primeiros meses do ano. Os números mostram que as campeãs são as violências moral (35%) e psicológica (34%) que não deixam marcas físicas evidentes, mas produzem reflexos diretos na saúde mental e física. Em terceiro lugar, está a violência física, com 22%, seguida de outras (9%).

Procurar ajuda é o ponto de partida. E, para isso, o centro conta com equipe técnica para o acolhimento das vítimas. O serviço social é a área mais utilizada pelas assistidas, com 70%. Em seguida vem psicologia (16%), jurídico (11%) e demais (3%). A pesquisa aponta, também, como as mulheres chegaram ao Ceam. A iniciativa espontânea ficou com 68% dos casos, 123ª Delegacia de Polícia (21%), defensoria pública e rede de saúde (11%).

O Ceam recebe 94% de mulheres do município de Macaé, porém, por ser referência nas regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, com a repactuação de 2011 junto ao governo federal, atende vítimas de outras cidades como Carapebus, Rio das Ostras e Conceição de Macabu, que somam 6% dos casos.

E quando as estatísticas chegam aos bairros, Lagomar e Aroeira estão em primeiro lugar (30%). A segunda colocação fica com as localidades Fronteira, Aeroporto, Barreto e Centro (26%). Já a terceira é dividida entre Barra, Novo Horizonte, Riviera, Praia Campista, Visconde de Araújo, Imbetiba, Ajuda de Baixo, Malvinas e Córrego Ouro, com 4%, cada.

O perfil das mulheres que sofrem violência no município demonstra, ainda, que 45% delas são brancas, 38% pardas e 17% negras. A idade das usuárias revela em primeiro lugar a faixa etária de 31 a 40 anos (36%). O segundo grupo aparecem mulheres com 18 a 25 anos, 26 a 30 anos, 41 a 50 anos (20%). O terceiro tem as seguintes faixas: 18 a 25 anos (16%) e 26 a 30 anos (18%), outros (10%). Mais da metade, 52%, tem união estável, casada (36%), divorciada (12%).

Em 45% dos casos, os autores da violência são os maridos, companheiros e namorados. Em seguida, os ex-maridos, ex-companheiros e ex-namorados ficam com 36%. Outros parentes, pessoas desconhecidas e colegas de trabalho representam 7%. A idade desses agressores é: 31 a 40 anos (36%), 41 a 50 anos (23%), não sabem declarar e 26 a 30 anos (19%), outros (12%).

O estudo também identificou que 50% das vítimas são evangélicas e protestantes, 33% católicas e 17% nenhuma religião. O grupo de mulheres tem renda familiar: não sabe (30%), R$ 300,00 a R$ 999,00 (23%), R$ 2.000 a R$ 2.999,00 (16%), R$ 1.000 a R$ 1.500 e acima de R$ 3.000 (17%), outros 14%.

O trabalho foi realizado pela estagiária Nathana da Costa, da Universidade Federal Fluminense (UFF/Rio das Ostras), com a supervisão da assistente social do Centro, Sandra Caldeira. “Esses resultados irão permitir traçar estratégias para a rede de proteção e, dessa forma, evitarmos novas violências”, ressalta Nathana.

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