Ciclistas reclamam de falta de espaço nas ciclovias de Niterói

Wellington Serrano

Mesmo com diversas promessas por parte da Prefeitura Niterói para uma solução da ciclofaixa que corta as Avenidas Jansen de Mello e Marquês do Paraná, o problema continua e vem gerando muitas reclamações por parte dos ciclistas. Segundo eles, os cones colocados em frente ao Supermercado Guanabara, por exemplo, ficam muito próximos da calçada e mais ainda dos veículos, que passam tirando fino dos ciclistas, que correm risco o tempo todo.

Segundo Luiz Araújo, que é integrante do Grupo Pedal Sonoro, a demanda pelas ciclofaixas surgiu em agosto de 2015, através de uma audiência pública com o então vice-prefeito de Niterói, Axel Grael, junto com o secretário de Meio Ambiente e Subsecretário de Urbanismo e Mobilidade.

“Um dos compromissos assumido pela Prefeitura na época foi de fazer essa ciclofaixa de cone, tanto no trecho de conexão de Icaraí, quanto do trecho de conexão para a Zona Norte, que é o pedaço que passa em frente ao Guanabara. Ela funcionou bem nas primeiras semanas, porque havia sinalização para garantir a ciclofaixa provisória, mas no dia 22 de setembro, no Dia Mundial sem Carros, não sei se foi coincidência ou provocação, a NiTTrans desfez essa operação e o local nunca mais houve fiscalização”, declarou Araújo.

MANIFESTAÇÃO — Segundo o integrante do Pedal Sonoro as últimas manifestações que aconteceram no local e as que virão foram batizadas pelos ciclistas como ‘ciclo farsa’. “Desse modo que estão as ciclofaixas contraria os princípios do código de trânsito e das normas técnicas que existem sobre construção de infraestrutura para as bicicletas e dessa maneira atrapalha mais do que ajuda induzindo o ciclista ao risco”, lamentou o integrante do Pedal Sonoro.

Mesma opinião da ciclista Eliane Cunha Luiz. Ela disse que já cansou de acertar os cones e, cansada de ser enganada, sugeriu que cada um dos ciclistas que passam pelo local façam um vídeo por dia desse trecho para colocar nas redes sociais. “Meu trajeto diário é sempre assim”, desabafou.

Na tarde de ontem, Luiz Antônio Melo fotografou e filmou a sinalização na Jansen de Mello e postou as críticas nas redes sociais. Ele disse que aguarda uma solução desde 2015. “Essa sinalização de cone é uma piada de mal gosto, imagina quando estiver pronto o projeto do shopping que não contemplará as pessoas da Zona Norte”, realçou. Para ele não é preciso ser gênio para perceber que a prefeitura abandonou a ideia de fazer de Niterói uma cidade modelo no que se refere ao uso da bicicleta.

“Há quem diga que foi chuva de verão, promessa de eleição. O que você está mostrando é criminoso porque coloca em risco a vida das pessoas. Não tem sequer uma ciclo farsa. Isso é um placebo de ciclovia que quebra algum galho. Importante é que cada vez mais as pessoas usem a bicicleta para mostrar ao poder público que o erro é dele de achar que esse tipo de transporte é inútil. Quantos mais ciclistas houver, mais pressão poderá ser feita. Os caras se enganam achando que vamos hastear bandeira branca”, disse o ativista Sérgio Franco do Grupo Mobilidade Niterói.

Procurada, a prefeitura diz que a ciclofaixa da Avenida Marquês do Paraná funciona balizada por cones colocados diariamente pelos agentes de trânsito, no contrafluxo da via, nos dias úteis, nos horários de “rush” matutino e vespertino. “Ao longo do dia, 16 agentes de trânsito controlam o tráfego na Marquês do Paraná e na Avenida Roberto Silveira, entre a Rua Marechal Deodoro (Guanabara) e o Campo de São Bento, trecho das vias onde há maior circulação de bicicletas. Há também agentes de trânsito em duas viaturas de supervisão, e em duas motocicletas de fiscalização, no perímetro da ciclofaixa”, concluiu em nota.

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