Ciclista atropelada em Niterói pede Justiça

Wellington Serrano –

A advogada Paola Fernandes Barrozo, ciclista que foi atropelada por um ônibus da Viação Ingá na Avenida Marquês de Paraná no Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, disse que quer que o motorista que a atingiu seja punido.

A mulher de 34 anos afirmou em entrevista nesta sexta-feira [16] que não entende tanto desprezo do rodoviário, que não prestou socorro após ter jogado o ônibus em cima de sua bicicleta. “Ele buzinou e insistiu, não tive opção e mesmo assim me atropelou. Em nenhum momento não quis saber se eu estava viva ou morta. Espero que a pena seja bem severa para que sirva de exemplo”, afirmou.

Após ter saído da delegacia, onde se decepcionou ao saber que o caso foi registrado como Lesão Corporal Culposa, Paola afirmou que o motorista foi desumano. “O sentimento é de pena. Tenho muita pena dele. Tive uma criação que favorece muito o respeito ao ser humano”, disse, na redação de A TRIBUNA.

A mulher que segue com várias escoriações e teve que cortar o cabelo devido aos pontos, agora começa a se adaptar à nova vida. Um de seus sonhos é poder voltar a trabalhar e a advogar. “É triste ter que lidar com isso. Vou usar meu trauma para lutar por mais segurança”. Paola também quer voltar a andar de bicicleta. Ela espera não ter trauma, o acidente aconteceu quando pedalava na curva da Rua Doutor Celestino, já no início da Marquês do Paraná. “Vou me adaptar. Influenciei muita gente para andar de bicicleta, não vou parar”, promete.

Paola disse que aproveitou a ocasião e a ‘fama repentina’ para fortalecer outras manifestações: “Se não houver manifestação é somente mais um acidente. Precisamos de mudanças sérias no trânsito. Fiscalização, educação e punição”, disse a advogada, que convidou a todos para assinar um manifesto online promovido pelo Grupo Pedal Sonoro que pede soluções imediatas das autoridades.

A ciclista afirma que pleiteará uma indenização ao motorista, mas que o valor da ação ainda não foi definido. Paola disse também que uma decisão judicial sobre a possível indenização pode levar de cinco a dez anos para sair.

Ciclofaixa
Prometida como parte do projeto de alargamento da Avenida Marquês do Paraná, que começou em dezembro, a ciclovia no local tem como objetivo melhorar mobilidade na região, ligando o Centro a Icaraí. As obras são parte da Operação Urbana Consorciada (OUC), que prevê investimentos na região através da iniciativa privada, com a construção de um shopping. Entretanto, segundo a Prefeitura de Niterói, o projeto está suspenso por uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio. Segundo informações, a Prefeitura terá uma reunião na terça-feira para se posicionar sobre medidas provisórias que podem ser adotadas para garantir a segurança de ciclistas no trecho em questão. Procurada, a Viação Ingá não se pronunciou sobre o caso.

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