Chuvas na Região Serrana impactam comércio na Ceasa de São Gonçalo

As mudanças climáticas estão impactando diretamente nas produções rurais de municípios como Petrópolis e Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A estimativa é a queda de pelo menos 30% nas plantações de repolho e couve flor por conta dos danos causados pela chuva. O reflexo é direto no comerciante final e na Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa) de São Gonçalo, no bairro Colubandê, já é possível sentir essas alterações nos preços dos alimentos. O mesmo espaço também foi atingido por fortes ventos na tarde da última quarta-feira (8) quando parte do telhado foi arrancado com a força do vento. Mas a unidade de abastecimento da Região Metropolitana continua funcionando normalmente enquanto o reparo está sendo feito.

O presidente do Sindicato Rural de Petrópolis, Henrique Mesquita, explicou que a cidade tem muita variedade de produção além de repolho e couve flor. “O lugar que mais prejudicou foi o Brejal e as lavouras no verão é normal ter perdas de 30% ou até 40%. Com essas últimas chuvas não tenho nenhum relato de perdas excessivas, mas que giram em torno de 30%. Nosso grande problema quando chove muito é o escoamento da produção e as estradas ficam péssimas”, frisou.

Na Ceasa SG os comerciantes já temem o aumento no preço do quilo dos produtos, principalmente a couve flor e o repolho, que são em maioria de Petrópolis. Atualmente a caixa com 20 quilos de repolho custa R$ 35 e deve chegar aos R$ 50 nos próximos dias. “O repolho já é uma verdura que normalmente é mais cara. No verão aumentam as pragas, como lagartas, e os produtores gastam muito dinheiro com inseticidas, então já é um período que os preços ficam mais caros. Agora com essa chuva que assolou as plantações acredito que o preço vai aumentar ainda mais”, contou Miguel Martins.

O comerciante Márcio Oliveira, 37 anos, todos os dias faz suas compras no Ceasa SG para revender no Centro de Niterói. O vendedor ambulante disse que, por exemplo, a couve flor é um vegetal rasteiro e também fica submerso na água em caso de enchentes. “A água encharcou o solo e no dia seguinte [ontem] fez um sol forte e isso cozinha os alimentos. A perda é certa. E é claro que os produtos que conseguiram ser aproveitados são vendidos com preço bem mais alto. Isso ainda deve ser somado ao custo do deslocamento que também fica maior com a dificuldade de tráfego nas estradas. Quem sofre com isso é a outra ponta de todo esse sistema”, lamentou. Ontem ele comprou cada couve flor por R$ 3,50 e hoje já deve ter subido para R$ 4, segundo estimativa do vendedor.

Na última quarta-feira (8) uma forte ventania destruiu parte da estrutura metálica que sustenta as telhas de alumínio dos pavilhões C e D da Ceasa SG. As telhas de alumínio foram arrancadas e acabaram caindo em cima de alguns carros Que estavam estacionados na parte dos fundos do grande galpão. O administrador do local, Emiliano José, disse que o reparo já começou a ser feito e deve durar três dias. “O espaço continuará funcionando normalmente e todo o conserto já está sendo feito para evitar novos problemas”, resumiu.

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