Chuva causa muitos transtornos em Niterói

Niterói acordou ontem com vassouras e rodos em punho para remover lama. Pela manhã, o temporal da madrugada de terça-feira ainda deixava seus reflexos, até porque a chuva ainda não tinha cessado totalmente. Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, foi o bairro mais afetado. Lá, choveu 170% a mais do que era esperado para o mês de junho. Em São Gonçalo, Maricá e no Rio, carros ficaram ilhados, bairros alagados, bueiros entupidos e árvores vieram abaixo.

Os canais da Rua Cinco de Julho e Avenida Almirante Ary Parreiras, em Icaraí, e o de São Francisco, na Avenida Presidente Roosevelt, transbordaram. O município está em estado de atenção, mas a Defesa Civil do Município não registrou ocorrências graves.

Parte da Avenida Prefeito Silvio Picanço, em Charitas, também permaneceu alagada por muitas horas, assim como as ruas Doutor Borman, no Centro, Presidente Pedreira e Paulo Alves, ambas no Ingá. As regiões de Pendotiba e Oceânica também tiveram pontos de alagamento e essa última foi uma das que mais sofreu. Uma árvore caiu no bairro Caramujo, na Rua Pastor José Gomes com a Rua Selma, e complicou o trânsito de veículos e pedestres.

Segundo nota da Prefeitura de Niterói, em apenas 12 horas choveu mais do que o esperado para todo o mês. É o caso de Piratininga, onde a chuva ultrapassou em 170% a média mensal, em Itaipu, onde o acumulado foi de 109% e no Badu, em que o índice chegou a 108%.

O veterinário Dirceu Sena, de 54 anos, é morador da Rua José Dantas Freire Filho, em Piratininga, e sofre com o alagamento da sua rua há anos. Para minimizar o problema ele teve que mandar fazer uma comporta e instala sempre que o tempo começa a virar. “Já começo a ficar nervoso quando começa a chover. Tive que destruir meu portão antigo, mandar fazer essa tapagem de ferro, danificar meu muro para diminuir a quantidade de água que entra no meu terreno. É um absurdo, pois pago impostos caros para não ter qualidade de vida”, comentou.

Outro morador do bairro que também sobre com esse problema é o representante comercial Marcos Romaneli, de 46 anos. Mas no seu caso teve que fazer uma rampa de aproximadamente 80 centímetros para dificultar o avanço da água da chuva para dentro do terreno. “Eu fico muito chateado, não consigo sair de casa com água na altura da cintura, tenho que gastar água para limpar tudo e são muitos transtornos e prejuízos”, apontou.

De acordo com a administração municipal, no Barreto, Morro do Castro, Santa Barbara, Várzea das Moças e Maria Paula, as chuvas ultrapassaram 50% do esperado para o mês. Já no Centro, Fonseca e Ingá, onde foram registrados os menores volume de chuva na cidade, o acumulado ultrapassou 35% do esperado para o mês. Na Rua Abel, em Santa Rosa, um carro Renault Clio vermelho, caiu em uma espécie de cratera que cedeu com a irrigação da chuva, em uma concessionária. Procurado, o responsável pela empresa preferiu não comentar o caso. 1 - _MAF3573

“Choveu muito forte em um curto período de tempo, ultrapassando a média mensal em apenas uma noite. Outros fatores, como a ressaca, maré alta e a chegada de uma frente fria contribuíram para aumentar o impacto das chuvas na cidade. As equipes da Seconser, Clin, Defesa Civil e NitTrans estão nas ruas, trabalhando para mitigar as ocorrências e orientar a população”, explicou a secretária de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa.

A Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) também ressaltou a importância de os moradores e comerciantes da cidade colocarem o lixo nas calçadas apenas uma hora antes do início da coleta. Se a equipe da Clin vir ou receber uma denúncia sobre a colocação de lixo na rua fora do horário da coleta cobrará uma multa, no valor de R$ 1.459,47.

SÃO GONÇALO
Na Avenida Paula Lemos, na altura do Viaduto da Central, no bairro Mutuá, a rua ficou totalmente alagada. Assim como na Estrada das Palmeiras, na altura do Escola Municipal Marinheiro Marcilio Dias, em Itaúna e na Rua Oliveira Botelho, na altura da 73ª DP (Neves). A Defesa Civil municipal informou que a cidade encontra-se em estágio de atenção e que não recebeu solicitações.

MARICÁ
A Prefeitura de Maricá informou que está em estado de alerta. O volume de chuvas chegou a 87 milímetros em seis horas. Na manhã de ontem, 101 homens das secretarias de Obras, Conservação e Defesa Civil, com apoio de três caminhões e quatro retroescavadeiras, atuaram nos locais mais críticos: São José do Imbassaí, Itaipuaçu (nova limpeza do canal no entorno do condomínio Carlos Marighella – Minha Casa Minha Vida – a anterior tinha sido realizada em março, mas a multiplicação de gigogas bloqueou o fluxo de água), Inoã (localidades Risca Faca, Beira-Rio, Bosque Fundo e Maré) e Santa Paula.

Ainda de acordo com a nota, a Defesa Civil de Maricá recebeu 30 chamados de alagamentos.

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