Chorume do lixão do Anaia pode causar um desastre

Raquel Morais

O Movimento Baía Viva protocolou uma representação judicial no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para conter possíveis desastres ambientais provocados por transbordamento ou vazamento de chorume. Ao todo foram denunciadas 21 cidades que contém esses locais de armazenamento e acumulação em aterros sanitários, incluindo o município de São Gonçalo, como o lixão do Anaia. Grandes ‘tanques’ estocam o chorume proveniente do lixo do aterro sanitário que deveriam ser tratados para diluição na Baía de Guanabara.

O ambientalista Sérgio Ricardo, co-fundador do Movimento, explicou que reivindica a criação de uma força tarefa para exigir a apresentação de um cronograma de instalação de sistemas de tratamento de chorume eficientes por parte dos lixões “desativados” e aterros sanitários em funcionamento no Estado do Rio de Janeiro. Ainda de acordo com a explicação tem ocorrido a prática inadequada de ‘diluição’ de chorume em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) operadas pela Cedae e por concessionárias privadas sem dispor do obrigatório processo de licenciamento ambiental (EIA-RIMA) e de outorga de lançamento de chorume, o que tem provocado problemas operacionais e baixo desempenho das ETEs.

A representação foi protocolada ao Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA) pedindo caráter de urgência para uma providência, pelo menos de forma preventiva, com a intenção de evitar riscos de desastres ambientais. Esses grandes ‘lagos’ podem transbordar e vazar o chorume, o que seria um desastre ambiental.

A estimativa do Movimento Baía Viva é que os 21 locais denunciados, juntos, acumulam 500 milhões de litros de chorume. A produção de chorume diária é 3.000 m³ diários (algo entorno de 3.340.000 litros por dia) e esse conteúdo é despejado, sem tratamento, na Baía de Guanabara.


A Prefeitura de São Gonçalo foi questionada sobre ao assunto e esteve no local para uma avaliação e encaminhou um ofício para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) pedindo uma outra avaliação. O Inea também foi questionado mas não se manifestou até o fechamento dessa edição.

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