Chefes do tráfico de Niterói e SG voltam ao estado

Augusto Aguiar –

Policiais civis e militares do Rio e de municípios da Região Metropolitana estão em alerta e porque não dizer apreensivos, com a decisão da Justiça do Rio que autorizou o retorno ao Estado de vários antigos e temidos líderes de facções criminosas, que comandavam comunidades espalhadas em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. O maior risco, segundo muitos policiais, é o fato de os criminosos comandarem ações de comparsas aliados de dentro dos presídios do Rio. De acordo com levantamento, mais de 40 chefões do tráfico detidos em presídios federais de segurança máxima fora do estado estão retornando para cadeias convencionais no Rio.

Na lista dos detentos estão Lindomar de Oliveira Brant, conhecido como Dodô, antigo líder do Complexo da Reta (Itaboraí); Carlos Vinícius Lírio da Silva, o Cabeça, da Favela do Sabão (Niterói); Luiz Paulo Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, apontado como antigo líder das comunidades do Buraco do Boi (Barreto/Niterói) e Menino de Deus (Rocha/São Gonçalo); Tiago Rangel da Fonseca, o TH, (Jardim Catarina/São Gonçalo); Wallace Batista Soalheiro, o Pixote, do Complexo da Coruja (Neves/São Gonçalo); Luiz Cláudio Gomes, o Pão com Ovo, da comunidade Brasília (Engenhoca/Niterói); e José Ricardo Couto da Silva, o Ricardo Paiol (Itaboraí).

A maioria dos detentos transferidos para o Rio são ligados à facção Comando Vermelho (CV), mas também há criminosos das facções Amigos dos Amigos (ADA) e Terceiro Comando Puro (TCP), além de milicianos, com todos sendo transferidos para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Alguns dos presos já foram transferidos e outros estão retornando. Pelo menos 60 detentos do sistema prisional do Rio continuam cumprindo pena em penitenciárias federais, fora do estado.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) disse “não haver motivos novos apresentados pelo Ministério Público e pela Secretaria de Segurança Pública que justifiquem o cumprimento de pena nas cinco penitenciárias federais do país”. Sendo assim, “a Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio negou a renovação da permanência de 32 presos. Todos estão fora do estado desde 2016, muitos até há bem mais tempo. E a Lei 11.671/2008 determina que a renovação não ultrapasse 360 dias.

Dos detentos que tiveram a renovação negada, pelo menos dez não possuem nem denúncia apresentada pelo Ministério Público, isto é, foram transferidos para presídios federais com base em suspeitas. Foi o episódio de uma suposta festa ter sido realizada na cadeia para comemorar a ação de criminosos que resgataram o traficante Fat Family do Hospital Souza Aguiar, internado sob custódia em 2016. Não há processos tramitando na Justiça sobre esse caso. Outros detentos que tiveram a renovação negada contaram com parecer favorável do Ministério Público para o retorno ao estado. Por fim, a VEP tem monitorado a execução penal de todos os presos que cumprem pena fora do Rio. Os 63 detentos – considerados de altíssima periculosidade – permanecem em outros estados, como os traficantes Luiz Fernando da Costa (Fernandinho Beira-Mar), Márcio dos Santos Nepomuceno (Marcinho VP), Elias Pereira da Silva (Elias Maluco), Marco Antonio Pereira Firmino da Silva (My Thor), Marcelo Santos das Dores (Menor P.), Isaías da Costa Rodrigues (Isaías do Borel), Ricardo Teixeira Cruz (Batman), Fabrício Fernandes Mirra (Mirra), entre outros”.

Com relação a detentos oriundos de comunidades da região do Centro de Niterói, por exemplo, um policial civil (que preferiu não se identificar) comentou, adotando postura de prudência.

“Sempre é motivo de preocupação. Vamos acompanhar. O Cabeça (antigo líder da comunidade do Sabão) já voltou. Nossa preocupação é que o retorno desses líderes facilite a comunicação com os membros da quadrilha que estão soltos”, resumiu.

Ainda relacionado aos antigos líderes do tráfico ligados a comunidades de Niterói, por exemplo, vale ressaltar que várias delas encontram-se em meio à violenta disputa pelo controle, como o caso do Complexo do Estado, no Centro, invadida há cerca de um mês pelo CV, e Boa Vista, além de outras comunidades situadas na Zona Norte, como Vila Ipiranga, Coronel Leôncio e Santo Cristo, envolvidas em recentes ocorrências de confrontos pelo controle do tráfico.

“No caso do Pão com Ovo, ele já está há muito tempo no Rio. E nem é Bangu 1. Está em Bangu 3. Não é presídio de segurança máxima, nem regime diferenciado”, afirmou outro policial civil.

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