Chacina termina com nove mortos em bairros de Itaboraí e São Gonçalo

Nove pessoas foram assassinadas entre o fim da noite de domingo na madrugada de segunda-feira (21) em Itaboraí e São Gonçalo. De acordo com relatos, pelo menos cinco das vítimas foram mortas na mesma rua, no bairro de Marambaia, onde na semana passada um policial militar, lotado no 35º BPM (Itaboraí) também foi executado a tiros. Em nota, além das vitimas em Marambaia e na localidade BNH, a polícia civil incluiu outras duas: em Granja Cabuçu, Vanderson dos Santos Silva, 18 anos, e no bairro Ampliação, Pablo Damasceno, de 26 anos. A investigação aponta para os mesmos autores e motivação dos crimes.

Outras três pessoas foram mortas dentro de casa pelos assassinos e uma vítima chegou a ser levada para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), mas não resistiu. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) já sabe que o mesmo carro foi utilizado nas ações e apura a ligação e a motivação dos crimes. Há suspeita que o mesmo grupo também tenha espalhado o terror, matando mais duas pessoas nos bairros Ampliação e Outeiro das Pedras.

Na manhã de ontem a situação era de tensão nas ruas do bairro. Em plena segunda-feira, poucas pessoas na rua e um silêncio fúnebre. Na localidade conhecida como BNH, pessoas disseram que bandidos armados e encapuzados em um veículo de cor prata chegaram a avisar que iriam matar todos que fossem ligados ao tráfico de drogas. O que chamou a atenção é que os três homens mortos no local foram executados a sangue frio, com tiros na parte de trás da cabeça. A quarta vítima, uma mulher, identificada como Débora Rodrigues Baptista, de 46 anos, dona de um trailer de lanches, foi colocada no carro e executada com um tiro no rosto em outro local. As outras vítimas identificadas no IML eram: Hércules de Souza Costa, de 21 anos; Michael Douglas da Silva Machado, de 25; Allan Patrick Pinto Vicente, de 21 anos. Além das execuções, outros quatro feridos deram entrada no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, porém um deles não resistiu e aumentou o número de mortos. A vítima não teve o nome identificado. Dos três feridos, Ana Paula Ferreira dos Santos e Jeronimo Maercelo Pinheiro Amorim receberam alta.

O segundo crime aconteceu também no mesmo bairro, quando criminosos entraram e assassinaram três pessoas na mesma família. Um deles, Gabriel Trigueiro de Oliveira, de 19 anos, se quer teve tempo de reagir, foi executado dormindo. “Meu filho tinha um filho de 8 meses. Estava feliz. É muita covardia”, afirmou sua mãe desolada. As outras vítimas foram Renan Trigueiro de Almeida, de 21 anos e Rodrigo Avelino Braga, de 38 anos, tio das outras vítimas. Parentes relataram que por ser fim de semana e férias, haviam crianças no quintal e a única coisa que conseguiram fazer foram correr e se abrigar dos tiros.

No início da tarde de ontem, a Polícia Civil divulgou uma nota onde o estarrecimento só fez aumentar, já que segundo corporação, o número de vítima seria nove (talvez 10), e não oito, como se pensava inicialmente. Os agentes apuraram que possivelmente uma outra vítima teria sido morta antes mesmo das demais na mesma localidade. “A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) está investigando as mortes de nove pessoas ocorridas nesse domingo, 20/01, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Outras três ficaram feridas. De acordo com as investigações, Hércules de Souza Costa, 21 anos, Débora Rodrigues Baptista, de 46 anos, Allan Patrick Pinto Vicente, de 21 anos, Rodrigo Avelino Braga, de 38 anos, Renan Trigueiro de Almeida, de 20 anos, Gabriel Trigueiro de Oliveira, de 19 anos, e Michael Douglas da Silva Machado, de 25 anos, morreram no bairro de Marambaia, já próximo à divisa com o município de São Gonçalo. Em Granja Cabuçu, também foi confirmada a morte de Vanderson dos Santos Silva, de 18 anos, e no bairro Ampliação, a morte de Pablo Damasceno dos Esteves, de 26 anos. Entre as vítimas, apenas Michael Douglas possui anotações criminais por tráfico de drogas e roubo. A perícia foi realizada nos locais e diligências estão em andamento em busca de imagens e informações que levem aos autores dos crimes.

Agentes estão trabalhando na identificação de testemunhas e nos depoimentos de sobreviventes. Informações preliminares apontam que os crimes foram praticados pelos mesmos autores e motivação”. A polícia ainda checa se um homem, que teria sido morto, dessa vez no bairro Outeiro das Pedras, por volta da meia-noite de domingo para ontem poderia (ou não) ser mais uma vítima dos mesmo assassinos que espalharam o terror no BNH Marambaia, não muito distante.

Na quinta-feira da semana passada, o cabo da PM Rodrigo Marques Paiva foi morto a tiros, quando lanchava no treiler de sua mãe, situado na mesma localidade, onde o policial residia. A morte do PM teria sido uma retaliação de traficantes da região. Após a morte do cabo do 35º BPM, a localidade foi ocupada pela PM. Porém, ontem apenas uma viatura foi vista passando no local, além de uma segunda na entrada do bairro, as margens da RJ-104.

No último fim de semana, dois suspeitos de envolvimento no assassinato do PM foram presos por agentes da DHNSG. De acordo com a Polícia, um suspeito é um comerciante e era foragido da Justiça. Marcio Oliveira da Silva, conhecido por Marcio da Churrasqueira, foi preso em flagrante com uma pistola 9 milímetros em Itambi, em Itaboraí. O segundo preso foi Maurício Costa de Lima, o Litrão.

Chacina é uma das maiores do Rio
Nós últimos tempos ao menos duas chacinas banharam em sangue as favelas da capital fluminense e região metropolitana. Em abril do ano passado, cinco pessoas foram mortas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.Três homens e duas mulheres, foram mortos de madrugada na Vila Operária, Testemunhas disseram aos policiais do 15ºBPM (Duque de Caxias) que dois homens encapuzados chegaram, a pé, ao local, por volta das 6h, ao final de um baile funk, e atiraram contra as vítimas. Para fugir do local, um dos atiradores usou uma bicicleta.

O caso que teve maior repercussão, em 2017, em São Gonçalo, foi o assissanato que terminou com sete pessoas mortas. A ação, criticada até por vereadores da esquerda de Niterói, aconteceu quando policiais civis faziam uma operação conjunta com militares do Exército no Complexo do Salgueiro.

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