Centro de beleza e odontologia para crianças com autismo é inaugurado em Niterói

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que de cada 160 crianças do mundo pelo menos uma tenha o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que é uma condição em que a pessoa nasce com algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem. E quem cuida dos pequenos que se encontram nessa situação sabe que algumas coisas que fazem parte do cotidiano podem ter outros contornos neste cenário, como cortar o cabelo e fazer uma consulta com o dentista.

Com o propósito de ampliar esse cuidado para crianças e adolescentes que convivem com o TEA, uma empresária niteroiense resolveu dedicar uma atenção especial a esse público, que muitas vezes não tem um cuidado adequado pela falta de profissionais especializados no trato com quem tem autismo.

Wanessa Berba inaugurou esta semana um salão de beleza e uma clínica odontológica para crianças autistas. Os tratamentos prometem ser pioneiros em Niterói e oferecem cuidados periódicos e acompanhamento de rotina para crianças que têm dificuldade de serem cuidadas. Conhecido como Clínica Espaço Crescer, o local se encontra no Centro e tem como objetivo integrar todas as áreas de intervenção necessárias ao tratamento do TEA em um só lugar, através de uma equipe multidisciplinar que conta com profissionais da área de neurologia, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, nutricionista, psicopedagogia, neuropsicologia, psicomotricista e arteteapia.

Para Wanessa, que também é psicóloga, o que para muitos é uma tarefa fácil, de cortar o cabelo, para a criança que tem o TEA é um processo muito difícil. Para isso os profissionais terapeutas também atuam nesse momento e esse processo pode durar o tempo necessário para ser uma experiência agradável e nada traumática para os pequenos.

“Muitas vezes o simples fato de cortar um cabelo pode levar horas. Profissionais que não são direcionados para esse transtorno não sabem como proceder e o corte de um cabelo se torna traumático para o portador do TEA”, explicou Wanessa, diretora da clínica.

Mãe de Guilherme, de 8 anos, e Maria Eduarda, de 3, Gabriela Domingues sabe muito bem o que é sentir essa dificuldade pelo fato de os dois filhos terem autismo. Ela explica que a reação de cada uma das crianças ao cabeleireiro, inicialmente, não foi boa.

“A gente descobriu que o Guilherme era autista depois que ele completou 3 anos de idade. Daí só levamos ele para cortar o cabelo após a descoberta e até achamos um salão especializado para criança, mas não deu muito certo. Os profissionais não sabiam lidar com a situação e o Gui não reagia bem ao barulho da máquina, o jeito de passar a navalha ou a tesoura, por causa da questão sensorial que o autista tem. Depois de muito tempo, encontramos um cabeleireiro que foi perfeito, conseguia acalmá-lo e o meu filho sempre deixava cortar o cabelo com esse profissional. Mas infelizmente desde a chegada da pandemia que não conseguimos mais esse contato”, explica Gabriela, que acrescenta que a mãe dela, dona Sidea (avô dos meninos), é quem corta o cabelo no momento. Porém, a mãe do Guilherme reconhece que a criança não reage bem e que, às vezes, é “um sacrifício”.

Já Maria Eduarda ainda não teve a oportunidade de ir para um salão, mas Gabriela já prevê dificuldades. De acordo com a mãe, a menina não reage bem quando tentam pentear o cabelo dela, principalmente se for com pente fino. Por isso, a mãe e a avó tentam ajeitar com as mãos.

“Eu já sei que vou passar sufoco quando chegar a hora de leva-la ao cabeleireiro. A sorte é que menina corta menos o cabelo”, diz Gabriela aos risos.

Reação diferente com dentista

Se a situação com cabeleireiro foi um pouco complicada para os dois filhos, Gabriela presenciou um cenário diferente quando precisou levar ambas as crianças ao dentista. Guilherme foi a uma consulta do tipo pela primeira vez com 5 anos, e a experiência não foi boa. Ele vomitou por não ter conseguido cuspir o flúor. Mas uma consulta com uma profissional especializada mudou a situação. Já Maria Eduarda se acostumou logo de início.

A pequena Maria Eduarda (direita) no colo da dentista. Foto: Gabriela Domingues

“A primeira vez que eu levei o Guilherme foi muito chata. Ele vomitou muito por não conseguir cuspir o flúor. E a própria dentista admitiu que tinha dificuldade de fazer esse atendimento. Depois, encontramos outra profissional, que conversou muito com o Gui e conseguiu realizar a consulta. Agora com a Maria Eduarda foi diferente. Ela adorou de cara. Deixou mexer na boca, cuspiu direitinho e não teve problemas com o flúor. Só que no caso dela, eu a preparei antes. Felizmente deu certo”, explica.

O espaço localizado no Centro de Niterói oferece atendimento particular, convênios e planos de saúde, para os atendimentos da clínica, os demais serviços são particulares. A clínica está localizada no Centro Médico do Niterói Shopping, no 3º andar (Rua da Conceição, 188). Mais informações pelo telefone (21) 3629-1263.

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