Centro de Artes UFF tem sessão online de documentário

No dia 20 de agosto, quinta, às 19h, o Centro de Artes UFF realiza o Cine Debate UFF com sessão seguida de debate do documentário “Clementina”, ainda inédito no grande circuito. Dirigido por Ana Rieper e produzido por Mariana Marinho, o filme é um mergulho no universo de Clementina de Jesus, cantora revelada aos 62 anos de idade como uma das maiores vozes do samba, considerada por muitos o elo entre a cultura brasileira e as raízes africanas.

A exibição gratuita do documentário, uma realização da Dona Rosa Filmes, acontece pelas redes sociais do Centro de Artes UFF, com transmissão ao vivo via Facebook (www.facebook.com/centrodeartesuff) e YouTube (www.youtube.com/centrodeartesuffoficial). O debate terá a participação da diretora e da produtora do filme.

“Clementina” é fruto de uma vasta pesquisa de arquivo coordenada pelo especialista Pedro Paulo Malta, envolvendo livros, documentos, filmes, programas de TV nacionais e internacionais, além de depoimentos de amigos para contar a história da cantora e apresentar as conexões mais importantes de sua trajetória. “Filmamos cerca de 20 horas de entrevistas, entre as pessoas que conviveram com Clementina e o pessoal do Quilombo São José, em Valença, terra natal de Clementina”, conta Mariana Marinho, que divide a produção geral com Marco Abujamra.

Reconhecida pelo meio musical por sua interpretação e timbre únicos, que remete à ancestralidade e à potência da mulher negra, Clementina de Jesus (1901-1987) como intérprete aos 62 anos de idade pelo pesquisador Hermínio Bello de Carvalho e em sua breve carreira musical tornou-se um dos maiores expoentes do samba, da música e da cultura brasileira. As canções ouvidas na infância em Valença, no interior do Rio de Janeiro – ladainhas, benditos, cantigas de trabalho, jongo, corimás, pontos de macumba, caxambu -, e as manifestações musicais do subúrbio carioca foram recriadas pela cantora, expressando a diversidade de sua formação musical espontânea. Clementina, chamada Quelé pelos amigos, viveu em Oswaldo Cruz e no morro da Mangueira, trabalhou como doméstica até ganhar os palcos e os estúdios, e alcançar sucesso após espetáculos antológicos, como “Rosa de Ouro” e “O Menestrel”. Menos de dois anos depois de sua estreia, arrebataria o público internacional no I Festival Mundial de Artes Negras, no Senegal, e em show no Festival de Cannes, na França. Foi a primeira mulher artista negra a ser homenageada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, num show histórico que reuniu Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso, entre outros grandes nomes do samba.

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