Celio Junger Vidaurre: São Gonçalo – Meio ambiente com tragédia anunciada

Quando o lendário Joaquim Lavoura assumiu a prefeitura de São Gonçalo em 1954 e designou o advogado Geremias de Mattos Fontes como seu principal colaborador e homem de confiança, o município detinha apenas propriedades rurais em que o prefeito foi convocado para desbravar pilotando um trator por todos os bairros. Esse momento ficou marcado na vida dos gonçalenses por muito tempo e quando foi criado o slogan “Geremias com a caneta e Lavoura na picareta”, a cidade teve suas transformações com a dupla e conseguiram construir o viaduto de Alcântara e a ligação com Tribobó.

Após isso, seus sucessores nada mais fizeram, nada, absolutamente nada. Geremias foi o substituto de Lavoura em 1958, e em 1962 foi eleito deputado federal. Um detalhe, com o litígio político ocorrido entre o então governador Paulo Torres e o deputado Raimundo Padilha, líder do governo à época, a solução para o impasse foi a nomeação de Geremias de Mattos para governar o antigo Estado do Rio de Janeiro de 1966 a 1970.

Da Era Lavoura até os dias de hoje nesta Era dos Capitães, São Gonçalo já foi vítima de inúmeros gestores. Vários deles eram médicos, advogados, engenheiros, professores, pastores e, agora, o Capitão Nelson está no primeiro ano de seu mandato. Esse atual administrador do município precisa de mais tempo para ser avaliado. Mas seus antecessores foram lástimas vividas em cada governo. Dentre esses, teve prefeito que foi impugnado e afastado do cargo, teve outro com o irmão preso por roubo e teve até prisão de um prefeito como todos os outros, queridíssimo na cidade, inclusive, todos eles tiveram o gosto de passar pela Assembleia Legislativa ou Câmara Federal. Usavam os eleitores gonçalenses para atingirem seus objetivos políticos, mas, obra de relevo no município, nunca fizeram.

O tempo passou e o lamentável mesmo foi o que deixaram, uma situação melancólica dos quem vivem em São Gonçalo. São 1,1 milhão de habitantes numa posição deplorável pela insensibilidade de seus gestores. O segundo município mais populoso do estado, só perdendo para a capital, sofre com as emissões de poluentes gasosos produzidos por centenas e mais centenas de ônibus fazendo as ligações dentro do município e os que operam entre os outros municípios, principalmente, Niterói e Rio de Janeiro. Trata-se de uma calamidade pública e já era tempo de terem solucionado a questão. O que se vê na cidade são apenas prédios acinzentados pelas emissões de poluentes gasosos. Agora, pensem bem, o que ocorre com quem está dentro desses prédios?

Como anda a saúde dessa gente? São mais de 200 linhas de ônibus com centenas e mais centenas de veículos transportando essa gente sofrida para Niterói e para o Rio de Janeiro, principalmente. Vão trabalhar ou em busca de trabalho e, certamente, infectados com essa poluição sem qualquer controle. Não se falando na poluição sonora provocada por esse número elevado de veículos. No município jamais prepararam uma estrutura básica, não existe saneamento básico, não tem nada em São Gonçalo. Não se sabe, na verdade, no decorrer desta pandemia, como foi possível o gonçalense suportar tanta pressão. São, realmente, uns verdadeiros heróis.

Somente nos bairros de Alcântara e Jardim Catarina moram mais de 200 mil pessoas vivendo sem estrutura condigna e, para chegar ao centro do município em certos momentos, talvez, caminhando, têm melhores resultados, pois, com o acúmulo dos ônibus entre os setores, fica quase impossível a comunicação. São tantos que os espaços tornaram-se pequenos e o contribuinte fica sem condições de se locomover com normalidade, dada a quantidade de carros bloqueando as vias. Com isso, a respiração dos cidadãos dentro dos veículos é totalmente precária e, porque não dizer, coisa deplorável, deficiente e desumana.

Tudo isso, porque seus gestores não preocuparam em dar o mínimo necessário para, pelo menos, minimizar o problema da poluição com plantações de árvores. Quem transita pelas ruas e avenidas de São Gonçalo percebe a inexistência de verde, não há plantação de árvores alguma. Nunca houve. É um horror! Coisa elementar dos gestores eleitos pelo povo, e que jamais adotaram. Precisam, mais do que nunca, saber que o que mais incomoda é a sujeira, o ar poluído ou os congestionamentos. Deveriam ter noção das demandas que afetam os cidadãos. Investindo em projetos na área de saneamento ambiental, os governantes reduziriam gastos posteriores com a saúde.

ALGUÉM DEVERÁ PENSAR SOBRE O BEM ESTAR DAS PESSOAS QUANDO SAEM DE CASA NA LUTA PELA VIDA!

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