CÉLIO JUNGER VIDAURRE: NITERÓI E A INSENSIBILIDADE DOS POLÍTICOS

Desde 1974 quando ocorreu a fusão entre o RJ e a Guanabara, Niterói ficou órfã de um administrador autêntico que percebesse naquela oportunidade a urgência da ex capital fluminense em não perder sua autonomia, vez que, sabíamos de antemão, que todos os órgãos importantes seriam transferidos para a nova capital e, assim, o esvaziamento inevitável. Não deu outra, o Rio absorveu tudo e nossos políticos nada de objetivo fizeram, pois, deixaram o setor principal da cidade, o Centro, agonizar ano a ano sem nada, absolutamente nada, para incentivar a locomoção de 10 minutos, através da barca, até o centro da capital cultural do país.

Foram mais de 10 prefeitos vendo “a banda passar” e, mesmo sabedores de nossos pontos de beleza, mesmo sabendo que daqui temos a visão do Pão de Açúcar, do Corcovado, da Ilha Fiscal que atendia o porto da Capital do Império e foi palco do último baile da Monarquia em 1889, mesmo assim, os caras continuaram apáticos. Em contrapartida, atenderam todo esse tempo o pessoal do meio imobiliário para incentivar as construções na zona sul, abarrotada de prédios agarrados uns aos outros sem qualquer ventilação exigida pelas leis ambientais. Na zona sul valeu tudo.

Sobre o Centro, todos esqueceram dele. Todos ficaram indiferentes a ele. Mesmo ali estando a sede da Prefeitura, a Câmara de Vereadores, todo o Judiciário: Federal, Estadual, Eleitoral e do Trabalho com excelentes instalações, não se importaram com ele. Não se falando na Universidade Federal Fluminense (UFF), além de outras universidades, quando mais de 10 mil universitários circulam pela área. Ainda, está fixada no setor a bela sede da Receita Federal e o magnífico Plaza Shopping. Lembrando também do Terminal Rodoviário por onde transitam todos os gonçalenses de passagem para o Rio e, mesmo assim, nossos governantes há quase 50 anos, simplesmente, abandonaram a região como se fosse um local de terra arrasada, pois, passou a ser moradia de pessoas vivendo em situação de rua, de toda a região metropolitana.

Com isso, os profissionais liberais, os comerciantes etc etc foram e estão obrigados a fecharem seus locais de trabalho e abandonarem seus negócios até mesmo antes desta terrível pandemia que assola o país. Conclusão: um mundo de salas e lojas fecharam suas portas. Nenhum deles foi orientado ou não desejou solucionar um problema “na cara” de qualquer cidadão de bom senso. Não incentivaram as construções de edifícios moradias e de edifícios garagens. Nenhum raciocinou que o Centro tinha condições de ter vida própria em face do que já havia sido implantado há várias décadas.

Pior, algumas figuras passaram pela Prefeitura e acreditaram terem abafado e queriam porque queriam partir para outra situação melhor, ou seja, queriam até o Palácio Guanabara. É triste a realidade niteroiense nos dias de hoje. Os oportunistas da política precisam refletir um pouco mais, porque nem todo eleitor é idiota como eles pensam. Niterói é para ser respeitada como uma metrópole de alta densidade cultural, mas, infelizmente, está com um Centro inativo e centenas de escritórios fechados, sedes de bancos, sindicatos, universidades e associações em estados críticos. Tudo muito lamentável.

A incompetência, a incapacidade e a insensibilidade dessa classe política municipal exige providências urgentes para que a cidade tenha o retorno, pelo menos, de parte que havia conquistado com o tempo, sobretudo, por ser obrigação daqueles que receberam votos da população e não evidenciaram até aqui que o Centro de Niterói merece melhor atenção, precisa de construção de edifícios moradias e edifícios garagens, pois, os lendários restaurantes Primavera, Monteiro, Derby, Garoto, Leiteria Brasil, Esportiva e Gruta de Capri poderiam voltar, mesmo sendo com outros nomes. Como está não é possível continuar. Morar no Centro de Niterói a 10 minutos do Rio deveria ser um privilégio se os políticos da cidade não fossem imperceptíveis. O ontem já passou. Agora é a melhor ocasião para o atual prefeito, recém-empossado, aproveitar para recuperar o Centro da cidade, porque para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar, não apenas planejar, mas também acreditar.
Grael tem a origem e a fibra de campeões olímpicos e pode ser o grande realizador daquilo que os niteroienses esperam por quase 50 anos.

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