Catadores de materiais recicláveis usam criatividade para festejar o Natal

Wellington Serrano –

Famílias que moram na Praça São João, no Centro de Niterói, sobrevivem, em sua maioria, colhendo material reciclável nas ruas do município. Para a família do catador Leonardo Santos não é diferente. É na época do Natal que eles usam de toda criatividade para celebrar a data festiva.
Na casa de alvenaria e taipa de Santos não há o menor sinal de festa e ornamentação natalina, e os quatro filhos do catador, que têm entre 3 e 10 anos de idade, se divertem com brinquedos achados nas ruas, fonte de sustento da família, sem se importar se eles estão quebrados.

“Tenho vontade de dar presentes melhores, mas infelizmente eu não posso. Tudo o que eu ganho só dá para alimentação e para pagar algumas pequenas contas”, diz o catador, mais conhecido como Léo, que ganha R$ 3 pelo quilo de latinhas. “No réveillon chego a vender mais de 100 quilos no ferro velho do São Lourenço, faço isso porque quero um futuro melhor para minha família e prefiro trabalhar a roubar”, afirmou.

A árvore de Natal é improvisada, e os brinquedos, embalados em caixas de papelão, em plástico, tudo fruto de materiais recicláveis. A dona de casa, Carla Patrícia dos Santos, economizou e comprou bonecos para doar para a família de outro catador identificado como Luciano Pereira. “Tudo o que pegamos do lixão está aqui, nós lavamos e estamos reaproveitando tudo”, afirma.

A catadora de papelão Valeira Silva, que vende o produto a R$ 0,15 o quilo, diz que toda comunidade enfrenta dificuldade, mas que na época do Natal é importante e deve ser celebrada. “É uma data especial que vou comemorar com meus irmãos moradores de rua. A população fica mais emotiva, se reúne e improvisa para fazer a festa para nós”, diz.

Ela recolhe todos os dias comerciais os papelões das lojas na Rua Visconde Uruguai, sendo muito querida por todos. “A Valéria é muito trabalhadora. No fim de ano, alguns comerciantes se reúnem e compramos cestas básicas e presentes para ela”, disse a atendente Marina Silveira.

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