Castelinho do Gragoatá é invadido por moradores de rua

Quem passa pela Praça Adelino Magalhães, em São Domingos, se depara com um grande movimento de moradores de rua que entram e saem do histórico Castelinho do Gragoatá, que teve tombamento municipal em 1993. O local passa por intensa degradação, abandono e também tem uma placa com anúncio de venda. Apesar de ser tombado, o imóvel é particular e o Departamento de Preservação do Patrimônio Cultural (DePAC) continua com a intenção de oficiar o proprietário para tentar solucionar o problema do local.

Essa notificação não é um processo simples e a diretora do DePAC, Fernanda Couto, explica que tentará fazer essa comunicação através da Secretaria Municipal de Fazenda de Niterói, através pelo Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Está circulando na internet a imagem de um projeto de requalificação desse espaço, mas Couto garante que esse material não é do departamento.

“Não temos nenhum projeto para mudança desse espaço. Eu vi essa imagem e não é do departamento”, contou.

Há anos uma placa para de venda anuncia o imóvel. A reportagem entrou em contato com a imobiliária questionando o valor do imóvel e o contato do proprietário para a reportagem, mas não teve retorno.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária (SMASES) informou que enviou uma equipe ao local e ofereceu acolhimento para todas as famílias. A equipe da SMASES constatou que algumas das pessoas já são referenciadas no Centro Pop e recebem auxílios do município ou do Governo Federal. A pasta ressalta contudo que não pode atuar de forma compulsória e trabalha na perspectiva de garantia de direitos, de forma que a adesão aos serviços ofertados deva se dar de forma voluntária.

O Castelinho foi construído em 1937 para ser a residência da família Amorim da Cruz. Mas ao longo dos anos passou a abrigar alguns estabelecimentos, como a famosa Pizzaria Skipper. O tombamento municipal aconteceu em 7 de outubro de 1993. Segundo a Secretaria de Cultura Niterói, a edificação eclética é um exemplar típico de residência burguesa do gênero popularmente conhecido como “Castelinho”.

Reformado na década de 1940, o imóvel recebeu diversas transformações ao longo dos anos, sem perder as características arquitetônicas principais. Sobrado com aproveitamento de sótão, misturando influências de nacionalidades diversas – como elementos à moda inglesa, normanda e bávara, próprias da época – o Castelinho do Gragoatá é uma construção de gosto aberto, lúdico, onde a fantasia e a liberdade de criação se conjuga com a diversidade de técnicas construtivas, como alvenaria de pedra, ora bruta ora aparelhada, enxaimel e tijolo aparente. Também se destacam uma escultura de um homem com cachorro na fachada e um torreão, cuja cobertura original em escamas de folhas de flandres foi inadequadamente substituída por fibra de vidro translúcido.

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