Casos de coronavírus no Rio passam de mil e mortes chegam a 47

No Brasil, número de pacientes infectados passam de 9 mil. Ministro diz que fica no cargo

Os casos confirmados de coronavírus no estado do Rio de Janeiro chegaram a 1.074 e o número de mortes pela doença foi de 47. Os dados foram divulgados na sexta-feira (3), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), e representam um aumento de 82 casos de pacientes infectados e mais 6 mortes, nas últimas 24 horas.

As novas mortes foram registradas na capital, com 5 casos, e em São João de Meriti, um caso. A vítima mais nova tinha 44 anos, um homem de São João de Meriti, e a mais velha, 88 anos, também um homem, do Rio de Janeiro. A média de idade das vítimas era de 62 anos.

Entre os casos confirmados, 80% estão concentrados na capital, que lidera com 867 doentes, seguida por Niterói, 65, Volta Redonda, 44, Petrópolis, 13, Nova Iguaçu, 11, São Gonçalo, 10, Duque de Caxias, 9, Itaboraí, 6, Maricá, 5, Magé, 4, Barra Mansa, 3, Belford Roxo, 3, Rio das Ostras, 3, São João de Meriti, 3, Barra do Piraí, 2, Itaguaí, 2, Macaé, 2, Queimados, 2, Resende, 2, e Rio Bonito, 2.

Os municípios de Angra dos Reis, Araruama, Arraial do Cabo, Campos dos Goytacazes, Guapimirim, Iguaba Grande, Mangaratiba, Miguel Pereira, Nilópolis, Porciúncula, São Pedro da Aldeia, Seropédica, Teresópolis, Três Rios e Valença têm um caso cada. Um paciente ainda está sendo determinada qual sua origem.

Brasil

O número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus no Brasil subiu de 7.910 para 9.056 entre quinta-feira (2) e sexta (3), conforme a atualização do Ministério da Saúde. O número de óbitos por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, saltou de 299 para 359. O índice de letalidade, que era de 3,5% no início da semana, foi para 3,8% ontem e chegou a 4% no balanço anunciado sexta-feira.

As mortes ocorreram em São Paulo (219), Rio de Janeiro (47), Ceará (22), Pernambuco (10), Amazonas (7), Minas Gerais (6), Distrito Federal (5), Bahia (5), Rio Grande do Sul (5), Santa Catarina (5), Paraná (4), Piauí (4), Espírito Santo (4), Rio Grande do Norte (4), Sergipe (2), Alagoas (2), Goiás (2), Maranhão (1), Mato Grosso do Sul (1), Mato Grosso (1), Pará (1), Paraíba (1) e Rondônia (1).

Os novos casos totalizaram 1.146. O resultado significou um aumento de 15% em relação ao total registrado antes. Foi o maior número de novos casos em um dia desde o início da série.

Já as novas mortes em um dia também bateram recorde, com 60. Nos quatro dias desta semana, os números de novas mortes foram de 23, 42, 40 e 58. No tocante ao perfil, 57,7% eram homens e 42,3%, mulheres. No recorte por idade, 85% das vítimas tinham acima de 60 anos.

Já com relação às doenças de pessoas que faleceram, 164 tinham alguma cardiopatia, 114 tinham diabetes, 45 passavam por alguma condição respiratória e outros 30 apresentavam alguma patologia neurológica. As hospitalizações por covid-19 totalizam 1.769.

O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a falar no receio com o abastecimento de insumos e equipamentos. Isso porque a China é responsável por boa parte do mercado e ficou sem exportar durante dois meses. Quando voltou a comercializar, há algumas semanas, a demanda internacional tem sido enorme.

Governos do Nordeste, exemplificou Mandetta, adquiriram respiradores e ventiladores de fornecedores chineses. Mas hoje foi comunicado que a compra não se confirmou. Com a pandemia, diversos países estão tendo políticas voltadas a garantir o seu mercado interno.

“Temos um clima delicado no mundo. Estamos vendo retenção sobre produções globais de máscaras. Antes era global agora é só para atender o meu país. Estamos dialogando com países para ter racionalidade e achar ponto de equilíbrio. Vamos precisar de entendimento para que cada país ultrapasse com dignidade essas questões”, disse.

O titular da pasta da saúde comentou o caso de Manaus, que pediu socorro ao Ministério da Saúde por falta de capacidade do sistema de saúde local de atender à demanda. O órgão viabilizou o transporte de respiradores obtidos juntamente à Rede D´Or utilizando a Força Aérea Brasileira.

Mandetta reiterou a importância das medidas de retenção da circulação de pessoas adotadas pelos governos estaduais.

“Cada pessoa que deixa de ir pro CTI é insumo que estamos economizando porque sabemos que podemos ter espiral de casos que vão demandar todo o sistema de saúde”, acrescentou.

Médico não abandona paciente

Perguntado por jornalistas, Mandetta falou sobre a relação com o presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que “médico não abandona paciente.” O ministro disse entender as pressões de empresários, o lado político e a cobrança de que a solução seja rápida. E cogitou sair no futuro, mas reafirmou que não deixará o cargo agora.

“O caso é uma situação global que nos desafia a todos, e estamos aqui para trabalhar, para ajudar. Se depois que isso terminar, tenho certeza que por qualquer uma das situações, talvez seja mais importante ir debater o sistema de saúde pós-covid em outro lugar. Mas no momento, eu vou estar ali. E vamos ter dias ruins”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro vem defendendo a retomada das atividades econômicas e alívio nas medidas de distanciamento social. O ministro defendeu que as pessoas atendam às recomendações dos governadores dos seus estados, que têm os melhores números e avaliações sobre a realidade das suas localidades.

“Sociedades que conseguiram código de comportamento restrito, conseguiram passar sem a espiral alta. As que não conseguiram, tiveram colapso. E quando acontece isso, a economia sofre muito mais”, opinou.

O ministro informou que o governo está desenvolvendo um modelo de hospital de campanha que poderá ser implantado em estados que tenham necessidade. A primeira unidade deverá ser instalada no entorno de Brasília, região que pertence ao estado de Goiás mas que fica distante da capital, Goiânia.

O projeto vai funcionar como uma espécie de “piloto”. “Vamos ver como a unidade se dá, do ponto zero até hora que está instalada. Após a confecção devemos saber como apoiar os estados”, disse Mandetta.

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