Casos de chikungunya em São Gonçalo preocupam população

Raquel Morais –

A chikungunya parece não dar trégua para os moradores do Rio de Janeiro. São Gonçalo é um dos que mais sofrem com a doença, de janeiro a maio de 2018 já foram notificados 2.767 casos da doença, contra 956 no mesmo período de 2017, aumento de 189,4%. Já outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a Zika e a Dengue, tiveram queda de 50% e 41,4%, respectivamente, conforme nota da Prefeitura de São Gonçalo. Amendoeira, Sacramento e Pacheco estão entre os bairros com maior índice da doença, além de Tenente Jardim, Engenho Pequeno e Venda de Cruz, por exemplo.

A Prefeitura de São Gonçalo informou que em janeiro foram notificados 207 casos da doença, em fevereiro foram 412, em março 1.078, abril 1.045 e em maio foram sete casos, além de 18 notificações em dezembro de 2017, que são computados na primeira semana de janeiro.

O estudante Pedro Vinícius, de 12 anos, fez parte das estatísticas e passou pela chikungunya em janeiro desse ano. “Foi muito ruim e fiquei com dores no corpo por um mês. É uma doença muito chata”, comentou. A mãe do jovem, Renata Bastos, de 39 anos, disse que de manhã recebeu uma mensagem de celular do filho dizendo que não conseguia sair da cama. “Foi desesperador e consegui levar ele no médico. Lá teve o diagnóstico da chikungunya. Depois que isso aconteceu eu reforcei ainda mais os cuidados com a água parada na minha casa, mas não adianta estar tudo certo na minha casa e meu vizinho não ter a limpeza adequada”, pontuou a dona de casa.

“Temos que trabalhar em cima da prevenção. É um conjunto de ações de responsabilidade de toda sociedade eliminar criadouros. A vasilha de água de cães e gatos é um dos maiores criadouros do Aedes. É ali que a maioria dos mosquitos bota o ovo, que eclode e nascem dezenas de mosquitos”, explicou o diretor da Vigilância Ambiental de São Gonçalo, Adaly Fortunato.

Em Niterói, a proporção do aumento foi ainda maior, com 264,9% mais casos de janeiro a abril de 2018. No primeiro quadrimestre deste ano foram notificados 905 casos suspeitos de chikungunya contra 248 em 2017. De acordo com a Prefeitura de Niterói em janeiro de 2018 foram 161 casos suspeitos, 344 em fevereiro, 354 em março e 46 em abril. Os bairros com maior número de casos são Barreto, Tenente Jardim e Engenhoca. O mesmo aconteceu com Maricá, que teve 520 casos nos primeiros quatro meses de 2018 contra apenas seis no mesmo período de 2017.

No Estado
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) revelou ontem que a doença já fez 8.963 vítimas este ano no estado. Os dados são de janeiro a abril e já correspondem a mais do que o dobro de todo o ano passado, quando foram 4.305 casos. De janeiro a abril de 2017 foram infectadas 2.065 pessoas.

O médico Alexandre Chieppe, da Subsecretaria de Vigilância em Saúde, disse que o aumento já era esperado, uma vez que o vírus nunca circulou no estado e, portanto, a população não tem imunidade a ele.

“A situação da chikungunya no estado já era uma preocupação, devido ao baixo padrão de imunidade da população. Como é um vírus novo, a população é toda susceptível. Isso é um ingrediente importante no componente de altas transmissões de chikungunya. A gente vem se preparando há algum tempo, desde 2014 já vinhamos monitorando o que estava ocorrendo no Brasil e já esperávamos a possibilidade da entrada e circulação mais intensa no país”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × 2 =