Caso Felippe Valadão: Polícia vai intimar pastor acusado de intolerância

A Polícia Civil quer ouvir o pastor Felippe Valadão. O líder religioso é acusado de ter cometido intolerância religiosa contra religiões de matriz africana, durante evento em comemoração do aniversário da cidade de Itaboraí, na última quinta-feira (19). Cabe frisar que o evento custou R$ 145 mil aos cofres do município.

Um boletim de ocorrência foi registrado na 71ª DP (Itaboraí), na última sexta-feira (20). A Polícia Civil abriu investigação sobre possível crime de intolerância religiosa. A delegada Norma Lacerda, titular da distrital, confirmou à reportagem de A TRIBUNA que Valadão será intimado a prestar depoimento. No entanto, a Delegacia de Repressão a Crimes de Intolerância (Decradi) dará sequência ao caso.

“A ocorrência foi registrada na sexta na 71ª DP. Sim [vamos intimá-lo]”, informou a delegada. No entanto, até o momento, não foi marcada a data em que o pastor comparecerá à delegacia. A Polícia Civil também não informou quem registrou a ocorrência. A reportagem não conseguiu contato com Felippe Valadão ou sua defesa. Caso queiram se manifestar, o espaço permanece aberto.

Acusação de intolerância

Um dia que era para celebrar a cidade de Itaboraí tomou outro caminho após ataques do pastor Felipe Valadão contra religiões de matriz africana, na noite de quinta-feira. O município completa 189 anos neste domingo, e conta com uma série de shows. O pastor da Lagoinha de Niterói aproveitou um intervalo das apresentações de artistas gospel para fazer o discurso.

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“De ontem para hoje tinha quatro despachos aqui na frente do palco. Avisa aí para esses endemoniados de Itaboraí: o tempo da bagunça espiritual acabou, meu filho. A igreja está na rua!!! A igreja está de pé! E ainda digo mais: prepara para ver muito centro de umbanda sendo fechado na cidade! Deus vai começar a salvar esses pais de santo que tem na cidade. Você vai ver coisa que você nunca viu na vida. Chegou o tempo, Itaboraí! Aquele espírito maligno de roubalheira na política acabou”, afirmou.

Em Itaboraí, a Comissão de Povos Tradicionais de Terreiros divulgou uma nota de repúdio na sexta-feira.

 “Em sua fala, o pastor agride de maneira vil, desrespeitosa e ameaçadora à comunidade religiosa do candomblé e da umbanda nesta cidade”, disse em comunicado, que ainda questiona “o motivo de uma manifestação festiva, popular e laica ter em sua programação discursos de cunho religioso. O Deus que conhecemos não compactua com sua megalomania, loucura e arrogância”, concluiu.

O pastor Felippe Valadão – Foto: Divulgação

A Prefeitura de Itaboraí informou em nota que declarações dos convidados e artistas “são de inteira responsabilidade deles”. Porém, ressaltou que “o governo é para todos”, e repudiou qualquer manifestação de intolerância religiosa, destacando que o Estado é laico.

‘Eu tô nem aí pra nada’

No último sábado (21), o pastor Felippe Valadão se manifestou pela primeira vez após ter sido acusado de cometer intolerância religiosa. O religioso fez uma publicação em suas redes sociais na qual enalteceu sua carreira e disse “não estar nem aí para nada”.

“Eu não cheguei agora, não comecei ontem, por isso milhares de pessoas [estão] vindo aqui me abençoar e escrever mensagens de carinho. […] Continuaremos a amar independente de qualquer classe social, religião, cor. Eu tô (sic) nem aí pra nada”, disse.

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