Caso João Pedro pode ser federalizado e reconstituição no Complexo do Salgueiro adiada

O caso João Pedro pode ser encaminhado para a Justiça Federal, e até a reconstituição sobre a morte do adolescente, programada para a próxima terça-feira (dia 9), no Complexo do Salgueiro pode ser adiada. Os motivos são que a Defensoria Pública do estado está encontrando várias irregularidades na apuração dos fatos, e esses detalhes serão encaminhados para o Ministério Público (MP).

De acordo com o órgão, um depoimento de testemunha da operação conjunta, entre agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e Polícia Federal, no dia 18 do mês passado, que resultou na morte de João Pedro, de 14 anos, com um tiro de fuzil nas costas, é considerado ilegal porque teria sido prestado dentro de um veículo blindado (o popular caveirão), da Core. Para a Polícia Civil, a testemunha teria dito que teria visto criminosos invadindo a residência no dia em que o adolescente foi baleado, sendo perseguidos pelos agentes. Os defensores ainda consideram prematura a data agendada para reprodução simulada, marcada pela Polícia Civil, e um ofício será enviado ao Ministério Público para que essa reprodução seja adiada.

 A Defensoria viu contradições, já que em depoimento prestado para o Ministério Público do Rio (MPRJ) e ao Ministério Público Federal, não houve relato igual da testemunha citada. De acordo com o também defensor público, Daniel Lozoya, a depoente deu esse esclarecimento com uma mãe de uma amiga, e não sua responsável legal. Vale lembrar que a Defensoria Pública representa a família de João Pedro, que seus parentes não prestaram depoimento para a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), por orientação da Defensoria. “Essa menina teve depoimento feito no Caveirão, com a mãe de uma colega. e depois no Ministério Público, as duas disseram que não viram criminosos na área da casa”, afirmou Lozoya, na manhã dessa quinta-feira (04).

Outras testemunhas ouvidas nos últimos dias negaram que teriam visto  criminosos na residência onde João Pedro estava. Cinco jovens estavam com o adolescente no momento da operação conjunta e passaram essas informações em seus depoimentos, contradizendo os argumentos dos agentes que atuaram no Complexo do Salgueiro. “Nenhum dos jovens que estava dentro da casa viu criminosos atirando na residência”, afirmou Daniel Lozoya.

Os depoimentos que ocorreram entre segunda (1) e quarta-feira (3) foram acompanhados também pelo Ministério Público Federal. Segundo Daniel Lozoya, um outro procedimento também está sendo feito pelo MPF. “A Policia Federal tratava de uma investigação interestadual de tráfico, com auxílio da Polícia Civil, da Core. Isso é o que a gente tem de informação. Foi instalado um procedimento investigatório criminal. Existe a possibilidade de a investigação caminhar para a Justiça Federal no futuro”, ponderou o defensor.

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