Caso João Pedro: Mãe não acredita em homicídio culposo por parte de policiais

Três policiais civis, suspeitos de participação na morte do menino João Pedro Matos Pinto, na época com 14 anos, em 18 de maio de 2020, foram indiciados por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá. Entretanto, a mãe do jovem, Rafaela Coutinho Matos, de 37 anos contesta a versão da polícia.

Em breve entrevista à reportagem de A TRIBUNA, concedida na tarde desta quarta-feira (9), Rafaela afirma ter tomado conhecimento do indiciamento, mas admite que ainda precisa se inteirar dos detalhes. Entretanto, ao recordar da dinâmica do crime, ela afirma não acreditar que os policiais agiram sem intenção de matar naquela tarde em que João Pedro perdeu a vida.

“Eu não estou muito a par de tudo, mas o que a gente sabe é que foi entregue o laudo e a Polícia Civil indiciou três policiais, mas que seria por homicídio culposo, sem intenção de matar. Não acredito que uma polícia que invade uma casa que só tinha crianças não tinha intenção de matar alguém. Vamos aguardar, o Ministério Público vai avaliar tudo para poder ver como vai ficar”, disse.

Todavia, a mãe admite que o indiciamento, ainda que por homicídio culposo, já é um avanço na busca por justiça. Ela alimenta o desejo que os policiais envolvidos, caso sejam considerados culpados pelo crime, sejam levados a júri popular e respondam pelo que ela afirma que fizeram com seu filho.

“Na grande verdade, muitas pessoas quando falavam com a gente achavam que não ia dar em nada. Só o fato de ser indiciado já é alguma coisa. A gente vai aguardar os últimos momentos. O que nós queremos é que realmente  a justiça seja feita, e os policiais vão a júri popular pelo que fizeram”, completou.

Os policiais indiciados são Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister, lotados na Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil. A unidade estava atuando naquele dia, em comunidades do Complexo do Salgueiro, em apoio à Polícia Federal, que pretendia cumprir mandados de prisão contra traficantes naquela região. Ninguém foi preso.

Cabe ressaltar que investigações sobre o caso, conduzida pelos Ministérios Públicos Estadual (MPRJ) e Federal (MPF) seguem em andamento para apurar as circunstâncias da morte de João Pedro.

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