Caso João Pedro: armas de policiais são periciadas

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG) espera que o resultado dos testes de confronto balístico que estão sendo realizados responda a uma das principais dúvidas sobre a ação policial que resultou na morte do adolescente João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, na última segunda-feira: de onde partiu o tiro que atingiu e matou o jovem dentro de uma residência, na Praia da Luz, no Complexo do Salgueiro. Dentro do imóvel, peritos contaram 72 marcas de tiros disparados pelos agentes.

Foram apreendidos três fuzis e uma pistola utilizados pelos agentes da Polícia Federal e da Coordenadoria de Recursos Especiais para serem periciados. Mas outras questões ainda estão sem respostas, como por exemplo, onde foram parar os aparelhos celulares que desaparecerem do interior da residência, incluindo o de João Pedro, depois que os agentes deixaram o local, e por que a o jovem baleado não chegou a ser socorrido e levado para uma unidade hospitalar mais próxima de sua residência.

A DHNSG confirmou a apreensão de dois aparelhos, a apenas informou que eles vão passar por perícia. Desde a terça-feira a especializada vem colhendo depoimentos de policiais que participaram da operação, incluindo de pilotos dos helicópteros que deram suporte à operação, que tinha como objetivo localizar e prender um dos líderes do tráfico na região, conhecido como Faustão.

Os policiais alegaram que bandidos ligados a Faustão teriam trocado tiros com os agentes e invadido a residência onde estava João Pedro e seus primos, alegação essa negada por familiares.

A Corregedoria de Polícia Civil também instaurou um procedimento para apurar a conduta dos agentes que participaram da operação e detalhes sobre como foi prestado socorro para João Pedro e porque da opção de levá-lo para a Lagoa, ao invés do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, por exemplo.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ) representará a família do adolescente no acompanhamento da polícia para esclarecer o caso. A orientação jurídica e a defesa nas esferas judicial e administrativa à família serão realizadas por defensores do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) da DPRJ. A primeira reunião com familiares ocorreu na tarde de quarta-feira, por videoconferência.

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