CASARÃO DO FONSECA GERA DEBATE SOBRE SUA DESTINAÇÃO

O projeto para a construção do primeiro Centro Cultural da Zona Norte de Niterói continua em tramitação na esfera municipal da cidade. Os trâmites, para a desapropriação da casa na Alameda São Boaventura, número 263, estão avançando, mas ainda sem calendário definido. O grande casarão de muros baixos continua chamando atenção de quem passa pela principal via do Fonseca, e não faltam ideias para construção no espaço de 2.000 m². Niteroienses pedem desde museus até espaço para oficina de artes para crianças carentes e até mesmo uma creche pública.

O secretário municipal das Culturas de Niterói, Leonardo Giordano, explicou que para a implementação do Centro Cultural ainda é preciso cumprir a burocracia da desapropriação. “Está correndo de maneira positiva e assim que a gente for elaborar esse projeto ele será com participação popular. Precisamos ouvir a população para saber o que faremos lá. Temos que desenvolver o pensamento de fortalecer os equipamentos culturais da cidade e centralizar essas opções em outras regiões. Quem ganha é a população”, resumiu.

A empregada doméstica Adriana Cardoso, 45 anos, trabalha na Rua Nossa Senhora das Mercês, que fica ao lado do casarão, e passa todos os dias pelo espaço. “Eu sempre olho esse lugar, acho bonito e penso que além de um museu poderia ser um espaço de oficinas de artes para as crianças carentes. O Fonseca tem muitas comunidades e as crianças poderiam ter aulas de artes, de desenho, de música no horário que não tem escola”, contou.

O aposentado Jorge da Silva, 67 anos, disse que a casa envolve um certo mistério e ele gostaria que fosse aproveitada a construção que existe. “Eu gostaria de visitar e ver como essa casa é por dentro e o que tem atrás da casa, no quintal. Eu sempre tive curiosidade”, brincou. Já a comerciante Ana Lima, 37 anos, que trabalha ao lado do futuro Centro Cultural, disse que uma creche seria algo mais aproveitado. “Sou mãe e na época que minha filha era pequena fiquei dois anos sem trabalhar para cuidar dela pois as creches particulares eram muito caras. Depois consegui vaga na creche pública. Acredito que mais uma creche iria ajudar as mães que precisam trabalhar”, ponderou.

No ano passado a Prefeitura de Niterói publicou um decreto para a desapropriação da casa. E divulgou que seria o primeiro centro cultural da Zona Norte com projeto de oferecer no local eventos culturais de múltipla linguagem, abrangendo os diversos tipos de artes: exposições, danças, salas de oficinas e ensaios de grupos. Também está prevista a construção de um teatro no terreno existente nos fundos da casa, pensado como ambiente de configuração múltipla e, para tanto, equipado com cadeiras móveis.

O casarão pertencia a Álvaro Mendes de Oliveira (1901-1994) e Olívia Ascensão Estevinha de Oliveira (1898-1958), um casal português da classe alta. Foi um grande construtor e empresário, fundador de uma fábrica de bananadas. O casal teve três filhos e a construção está em uma batalha judicial entre os herdeiros há mais de 20 anos.

MUSEU JANETE COSTA
Foi publicado, no Diário Oficial de sexta-feira (08), a desapropriação de um imóvel ao lado do Museu Janete Costa de Arte Popular, na Rua Presidente Domiciano, no Ingá, para a expansão do equipamento cultural. “Esse é um projeto da cultura com a secretaria de urbanismo. O Museu será ampliado para os lados e é mais uma oportunidade de desenvolver a arte popular. Nesse caso não teremos a consulta pública, visto que o espaço já existe e vai somente ser ampliado, diferente do Fonseca, que iniciaremos um projeto juntos com os niteroienses. Ainda vamos montar esse projeto junto com o Conselho Municipal de Políticas Culturais que fará a parte técnica”, detalhou.

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