Casa Reviver leva esperança de um futuro melhor no Morro do Estado

Nos últimos meses, a comunidade do Morro do Estado, na Região Central de Niterói, ganhou a manchete dos veículos de comunicação devido ao avanço da criminalidade na região. No entanto, nesta reportagem da série de A TRIBUNA sobre instituições que apoiam crianças, em Niterói, será contada a história da Casa Reviver, projeto que ajuda as crianças da região a terem um futuro melhor.

O idealizador do projeto, Vinícius de Souza, o “Tio Siri”, explica um pouco sobre como surgiu a ideia da Casa Reviver. A iniciativa partiu de uma escola bíblica, que funcionava na região, em que Vinicius percebeu a necessidade de as crianças passarem mais tempo participando de atividades educativas. Assim nasceu o projeto, em um pequeno imóvel na comunidade.

“Há 15 anos a gente começou um trabalho com crianças, na subida da comunidade, reunindo aos domingos de manhã em uma escola bíblica dominical. Percebemos que as crianças precisavam de mais tempo no projeto. A gente fazia festas comemorativas até alugar uma casa, em que passamos a vir durante a semana, em um trabalho no contra turno escolar, com as crianças das escolas públicas”, explicou.

A Casa Reviver também precisou, em março de 2020, se adaptar aos desafios ocasionados pela pandemia da Covid-19. Segundo Vinicius, rapidamente as atividades foram passadas para a modalidade virtual. Atualmente, o projeto já consegue funcionar de forma presencial, ás sextas-feiras, quando é feito um café da manhã e os alunos entregam as tarefas propostas durante a semana, sempre seguindo as medidas de prevenção ao coronavírus.

“A pandemia pegou todo mundo de surpresa. A gente estava começando o ano, com o lockdown, tudo parando. A Prefeitura agiu de forma bacana, conscientizando. O Rodrigo [Neves, então prefeito] esteve aqui e orientou a distribuição de máscaras. Foi um baque. Começamos a nos estruturar com lives educacionais, sobre o conteúdo proposto e exercícios. Hoje a gente consegue fazer às sextas-feiras presencialmente”, prosseguiu.

Por fim, Vinicius destaca a importância do trabalho realizado na Casa Reviver para a formação do perfil de cada criança, um legado que permanece durante toda a vida. Ele também explica como a instituição tem feito para se manter em atividade, diante das dificuldades impostas pela pandemia e conta como aqueles que se interessarem em ajudar o projeto podem fazer para colaborar.

“A gente percebe a importância que é retornar com a atividade coletiva para as crianças e que elas tenham esse lugar de segurança, onde a gente possa ver como a criança está passando. A gente é um projeto cristão, mas as atividades não são religiosas. Recebemos apoio de uma empresa de alimentos, igrejas e alguns amigos. Para ajudar, só entrar em nosso Instagram que a equipe de mídia dará todo o suporte”, completou.

Orgulho em fazer parte

Na equipe de voluntários da Casa Reviver há aqueles que, além de ajudar o projeto, também levam seus filhos para participar das atividades propostas. É o caso de Amanda Moura, que é mãe de uma das crianças que frequenta a instituição. Ela faz questão de destacar o orgulho em ajudar no funcionamento do lugar.

“Sou voluntária, mãe, tudo que eu puder fazer, eu faço. A Casa Reviver representa uma cas acolhedora. Acolhe muito além do que a gente espera, todas as famílias possíveis. Além dos nossos filhos fazerem parte do projeto, acolhe a família. Mãe, pai, avó, tia. Quem chegar aqui é bem acolhido, então a Casa Reviver representa uma mãezona acolhedora”, orgulhou-se.

Para todas as idades

Não são apenas as crianças que recebem atenção na Casa Reviver. O projeto “Ler o Mundo”, desempenhado no local, ajuda a alfabetizar jovens e adultos da comunidade. É o caso da aposentada Joanita Ferreira da Silva que, ao lado de outras colegas de turma, escreveram livros, a fim de colocar em prática tudo aquilo que aprenderam.

“Fui participante desde o começo. Esse projeto representa muita ajuda para as mães, as crianças. Ajuda as mães que trabalham e não podem deixar as mães em casa. Nós estudamos aqui e viramos escritoras. Escrevemos o livro porque participamos do projeto para aprender mais um pouco”, afirmou.

Como participar

Para matricular as crianças no projeto, é necessário, primeiro, participar da colônia de férias realizada, anualmente, pela casa, entre os meses de janeiro e fevereiro. Após esse período, é aberta a inscrição. Atualmente, cerca de 80 crianças estão na Casa Reviver. Quem quiser conhecer mais detalhes ou ajudar, basta acessar o Instagram do projeto, que é @casareviver.

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