Carne, frango e outros alimentos podem ficar mais baratos, mas vai demorar

Alguns itens alimentícios devem ficar mais baratos a partir dos próximos dias. O Governo Federal anunciou a redução de impostos de importação de 11 produtos entre eles a carne, frango e farinha, por exemplo. A queda dessas tributações está permitida desde ontem (12) e tem validade até 31 de dezembro desse ano. Com a inflação em alta, o objetivo é baratear os produtos importados para que chegue ao consumidor final com menor valor.

Com a baixa dos impostos os produtos nas prateleiras devem ter seus preços alterados. Isso vai implicar no valor da carne de boi que teve a alíquota diminuída de 10,8% para 0%, pedaços de frango congelados (de 9% para 0%), farinha de trigo (de 10,8% para 0%), misturas de trigo com centeio (de 9% para 0%), biscoitos (de 16,2% para 0%) e produtos de padaria (de 16,2% para 0%), milho (de 7,2% para 0%).

Farinha de trigo está entre os itens que tiveram imposto de importação. Foto Divulgação

Mas esse ‘desconto’ pode não estar perto de acontecer. Alessandro Spilborghs, especialista em Direito Tributário e Planejamento Tributário, salientou que zerar a alíquota do imposto de importação sobre produtos importados, se por um lado estimula e incentiva a entrada desses gêneros alimentícios, por outro pressiona o produtor nacional. “A redução do imposto é imediata, no entanto o consumidor deve perceber a diminuição do preço apenas dentro de algumas semanas em razão da cadeia de transportes desses produtos até as prateleiras”, frisou.

O Ministério da Economia informou que o impacto com a renúncia tributária pode chegar a R$ 700 milhões até o final do ano. Não há necessidade de compensação fiscal, por se tratar de um imposto regulatório, e não arrecadatório.

O especialista em finanças e planejador financeiro Marlon Glaciano, explicou que e o principal objetivo da medida será conter o avanço da inflação. “A inflação não para de subir no país impactando principalmente a fatia básica de subsistência, a alimentação. O impacto com a renúncia tributária pode chegar a R$ 700 milhões até o final de 2022 e por se tratar de um imposto regulatório, não há necessidade de compensação fiscal. Desta forma, teremos uma injeção de energia para ambos os lados, consumidores e distribuidores”, contou.

A medida foi tomada pelo Comitê-executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), do Ministério da Economia, e além dos itens alimentícios o ferro ou aço também teve queda de 10,8% para 4%, o fio-máquina de ferro ou aço de 10,8% para 4%, ácido sulfúrico de 3,6% para 0% e mancozeb técnico (fungicida) de 12,6% para 4%. “Sabemos que essas medidas não revertem a inflação, mas aumentam a contestabilidade dos mercados. Então, o produto que está começando a crescer muito de preço, diante da possibilidade maior de importação, os empresários pensam duas vezes antes de aumentar tanto o produto. Essa é a nossa lógica com esse instrumento”, garantiu secretário-executivo da pasta, Marcelo Guaranys.

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