Cárcere em Icaraí: Prisão preventiva é decretada

Acusados de manter mulheres em cárcere privado num apartamento em Icaraí, Zona Sul de Niterói, Everton Lamartine Matte e Marco Antonio Esch Gomes tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas. À Justiça, três mulheres, que teriam sido alvo das ações dos suspeitos, relataram como aconteciam os supostos abusos.

Em audiência de custódia, a juíza Ariadne Villela Lopes decidiu pela conversão da prisão de Everton e Marcos, assim como de uma terceira envolvida, identificada como Thamires Martins Pereira. Entretanto, no caso desta última, foi concedida prisão domiciliar sob monitoramento com tornozeleira eletrônica porque à ela não foi imputado crime com violência ou grave ameaça à pessoa.

De acordo com depoimentos prestados pelas vítimas, uma delas era mantida em cárcere desde outubro de 2021, enquanto outras duas desde fevereiro deste ano. Uma delas ainda disse ter sofrido abusos sexuais e teve fotos suas, nas quais aparecia nua, veiculadas sem seu consentimento em uma revista. Os relatos ainda afirmam que ela e as outras vítimas eram mantidas naquelas condições por Everton.

Ainda nos depoimentos, as vítimas afirmaram que eram mantidas sob vigilância permanente e ameaças. Elas relataram a impossibilidade de se locomoverem livremente, tendo suas saídas monitoradas. Dessa forma, a magistrada concluiu que as mulheres viviam “na base do medo, impedidas de reagir e se proteger”. A magistrada também concluiu que Thamires e Marco tinham ciência dos crimes acobertavam “as violações sexuais praticadas por Everton”.

O caso

Quatro pessoas, entre eles um falso policial federal, foram presos, na manhã da última quarta-feira, em Icaraí, Zona Sul de Niterói, acusados de manter mulheres em cativeiro, em condições análogas à escravidão. As vítimas eram atraídas ao local sob a falsa promessa de emprego no qual atuariam em filmes produzidos pelo falso policial.

A ação foi coordenada pela 35ª DP. Na madrugada daquele dia, uma das três mulheres que eram mantidas em cárcere num apartamento conseguiu fugir. Ela preferiu comunicar o crime à distrital localizada na Zona Oeste da Capital por acreditar que Everton Lamartine Matte, que se apresentava como delegado, tivesse influência com policiais.

Na quinta-feira, um dos suspeitos foi posto em liberdade após pagamento de fiança. Fernando Vieira Lucena é apontado pela polícia como suspeito de participação no caso. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados, até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto caso haja o interesse em se manifestar.

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