Capoeira ajuda quem tem síndrome de down

Em pleno século XXI, ainda há quem acredite que crianças e jovens com síndrome de down não possam praticar esportes, atividades físicas e ter consciência social. Em Niterói, existe um projeto que prova o contrário e, além de auxiliar esse público por meio de aulas de capoeira, ainda ajuda as mães a cuidarem de seus filhos da maneira mais adequada.

Na reportagem desta semana da série de A TRIBUNA, sobre iniciativas que apoiam crianças, será contada a história do projeto “Din-Down-Down: Gingas Mulher”. O idealizador do projeto, David Bassous, mais conhecido como mestre Bujão, explica como começou a atuar em projetos sociais até fundas a ONG Instituto Gingas, responsável pelo “Din-Down-Down”.

“Comecei a dar aulas para pessoas com deficiência em 1992. Eu não tinha uma instituição, fazia com a cara e a coragem, afeto e disposição. percebi que precisava tanto da formação quanto da institucionalização. Em 2003 fundei a ONG Arte da Possibilidade, cujo nome fantasia é Instituto Gingas”, contou.

Uma das preocupações do mestre Bujão para garantir que todos pudessem ter acesso ao projeto foi realizar parcerias. Ele conta que a sede da PNG, localizada na Rua Fagundes Varela, no Ingá, é pouco acessível. Por isso, atualmente, as aulas acontecem na sede da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) na cidade, na Rua Professor Ismael Coutinho, no Centro.

“A gente preza a questão da acessibilidade, mas a sede da instituição não é muito acessível. Resolvemos esse problema fazendo alianças com outras instituições, como a APAE, que tem acessibilidade garantida e damos aulas lá. Somos um ponto cultural e fazemos as aulas na instituição. Com a pandemia, fizemos muitos trabalhos online e estamos voltando com o presencial agora”, prosseguiu.

Como funciona

Mestre bujão explica que as aulas vão além de ensinar capoeira para os jovens. Na etapa atual do projeto, o nome “Gingas Mulher” dá uma pista sobreum dos focos. A proposta é inserir as mães no contexto das aulas, para ensinar e aprender junto com os filhos. O idealizador conta que a proposta surgiu partindo do princípio de que portadores da síndrome de downgeralmente passam mais tempo com suas mães.

“A outra coisa importante é que existe um elemento do cotidiano da pessoa que se chama família, geralmente as mulheres que seguram a onda. A gente entende que a perspectiva não é só ensinar a capoeira, a gente entende de uma forma mais completa. A mãe também precisa dessa formação cidadã”, disse. “A gente continua ensinando a capoeira para os alunos com deficiência intelectual, mas o foco são as mães. O nome do nosso projeto atual é o ‘Din-Down-Down: Ginga Mulher’, porque a mulher que é a guerreira”, complementou.

Ajude e participe

Atualmente, o projeto possui 30 alunos matriculados. É importante ressaltar que, antes da pandemia, o número chegava a 60. Um dos objetivos é conseguir o retorno desse público. As aulas presenciais retornam nessa segunda-feira (11), às 15h, na sede da APAE. Quem tiver o interesse em participar ou ajudar financeiramente o projeto, pode entrar em contato por meio do telefone (21) 99896-1769 ou e-mail david@gingas.org.br.

“A gente passa por um projeto de restruturação porque a ONG é pobre, não tem dinheiro. Estamos tentando criar produtos. Temos um convênio com a Secretaria Municipal das Culturas e uma planilha em que a gente paga pessoas jurídicas através de MEI. Também pagamos uma bolsa a uma mãe e um filho fazendo a ligação com os participantes”, concluiu o mestre.

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