Cantor Belo é preso por gerar aglomeração em show na Maré

Policiais da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) prenderam, no âmbito da Operação ”É o que eu mereço”, ontem à tarde, o cantor o Belo por gerar aglomeração durante um show realizado no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 13 de fevereiro, sábado de Carnaval. O evento foi realizado sem autorização da Secretaria Municipal de Educação.

A ação foi deflagrada para cumprir quatro mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça contra os responsáveis por promover a invasão e realização de um evento musical, em plena pandemia, no Ciep 326 – Professor César Pernetta, localizado na comunidade Parque União, no Complexo da Maré, no última sexta-feira (12/02)

Belo recebeu voz de prisão em Angra dos Reis, no Sul Fluminense, onde gravava com sua mulher, Gracyanne Barbosa, para o programa de Rodrigo Faro, da Record TV. Com a prisão, as gravações foram interrompidas para que o cantor fosse levado pelas autoridades policiais para a Cidade da Polícia, no Rio, para prestar depoimento.

Foi aberto um inquérito pela Polícia Civil para apurar quem são as pessoas responsáveis pela realização da festa. Ainda nesta quarta, agentes cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.

Os agentes afirmaram que o show foi promovido e realizado por uma produtora de eventos, por meio de seus sócios e administradores, no CIEP, sem autorização da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), onde houve grande aglomeração de pessoas e risco de propagação e contaminação da Covid-19. O evento aconteceu na comunidade onde uma das maiores organizações criminosas do Rio de Janeiro atua.

“Como se tal situação, por si só, não fosse absurda e suficiente para uma resposta do estado, foi verificado junto à Seeduc que o evento ocorreu sem qualquer autorização, configurando verdadeiro esbulho/invasão de um prédio público para a realização de um evento privado, contrário ao interesse público e que serviu para propagar ainda mais a doença viral”, disse o titular da DCOD, delegado Gustavo de Mello de Castro.

Ainda de acordo com a DCOD, a invasão de um estabelecimento de ensino, localizado na comunidade Parque União, uma das áreas mais conflagradas do estado, onde a maior organização criminosa do Rio de Janeiro atua, somente poderia ocorrer com a autorização do chefe criminoso da localidade, que controla a localidade há anos e figura como indiciado em diversos procedimentos policiais, sendo, inclusive, um dos bandidos mais procurados do Estado.

“Verifica-se que o cenário desenhado é um dos mais absurdos possíveis, na medida em que o “evento contagioso” não foi autorizado pelo Estado, mas pelo chefe criminoso local, que também teve a sua prisão preventiva decretada”, declarou o delegado.

Além das prisões, a Justiça também decretou a suspensão das atividades da produtora Série Gold e bloqueio das contas bancárias dos investigados, até que se apure os prejuízos causados pela conduta criminosa.

Foram presos Marcelo Pires Vieira (Belo), cantor, preso em Angra dos Reis; Célio Caetano, sócio da produtora, preso em Macaé; e Henriques Marques, o Rick, sócio da produtora, preso no Rio. Continua foragido Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, chefe do tráfico no Parque União, favela que faz parte do Complexo da Maré.

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