Candidatos à Alerj debatem na CDL

Marcelo Macedo Soares –

A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL-Niterói) realizou nesta quinta-feira (13) em sua sede o primeiro dos dois encontros que vai promover com os candidatos a deputados estaduais e federais da cidade. O evento, que tem como objetivo conhecer as propostas para o setor de comércio e serviços da cidade, recebeu ontem nove postulantes à uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na terça-feira, dia 18, será a vez dos que vão tentar a Câmara dos Deputados.

Nove dos 12 candidatos que tinha conformado presença compareceram: Felipe Peixoto (PSD), Gegê Galindo (Podemos), Bruno Lessa (PSDB), Gustavo Schmidt e coronel Salema (PSL), Joel Pereira e o delegado José Paulo Pires (PSC), Walter Dourado (PDT), e Feres Mello (PPS). Os ausentes foram o presidente da Câmara de Niterói, Paulo Bagueira (Solidariedade), o vereador Renatinho da Oficina (PTB), e o candidato Alexandre Ceotto (PSD).

O presidente da CDL, Luiz Vieira, destacou a importância do encontro para os comerciantes e lojistas da cidade. Segundo ele, numa visão democrática, a CDL convidou os candidatos que moram em Niterói para que apresentassem suas propostas para o setor.

“Muitos candidatos não têm a oportunidade de falar sobre as propostas para o empresariado de Niterói. Por isso decidimos realizar este fórum exclusivamente par o setor de comércio e serviços de nossa cidade, já que o setor é o principal responsável pela geração de emprego”, afirmou Vieira.

Em suas apresentações, todos os candidatos destacaram as grandes dificuldades enfrentadas pelos comerciantes por conta da grave crise econômica que o Brasil enfrenta, ressaltando que em Niterói não é diferente. Gustavo Schmidt afirmou que como empresário, tem a certeza de que o setor é fundamental para o desenvolvimento econômico, mas que vive um verdadeiro caos por conta da insegurança. Ele também criticou as obras da Transoceânica.

“Além do problema da segurança pública, as obras da Transoceânica estão atrasadas. Os comerciantes da Região Oceânica sofrem há três anos com transtornos, atrasos e falta de incentivos da Prefeitura”, salientou.

Feres Mello também falou sobre os problemas que afetam o comércio. Se eleito, Mello pretende atuar como porta-voz do setor na Alerj.

“Serei uma espécie de filtro para as empresas. Não vou permitir que nenhuma lei seja aprovada sem ouvir entidades como a CDL, por exemplo”, prometeu.

Para Felipe Peixoto, iniciativas como a da CDL são fundamentais para ajudar a solucionar a crise econômica.

“A CDL tem um papel muito importante no momento em que traz a política para ser discutida dentro da entidade. Sou formado em administração e aprendi na prática as adversidades que se enfrenta para ser empresário hoje no Brasil. É preciso ter coragem”, destacou.

Um bom entrosamento é o que pretende Joel Pereira, caso seja eleito para uma cadeira na Alerj.

“Quero tem bom trânsito junto aos empresários e vou conversar com todos e lutar pelos interesses deles”, salientou.

O vereador Bruno Lessa também destacou o momento crítico da política nacional e a importância do debate realizado pela CDL. Lessa lembrou que na Câmara aprovou o projeto que acabava com o feriado no dia 22 de novembro (aniversário de Niterói), mas que a proposta foi vetada pelo Executivo.

“Infelizmente a proposta de acabar com o feriado foi vetada pelo prefeito (Rodrigo Neves). Hoje 16% da população busca trabalho e Niterói é uma das cidades que mais demitiu. É preciso incentivar o comércio, mas a burocracia atrapalha muito”, afirmou.

Baixar o o preço dos alugueis foi a proposta apresentada por Walter Dourado. Além disso, ele defende punição para os proprietários de lojas que mantém o imóvel fechado.

“Sempre tive comércio, mas os altos alugueis estão matando os empresários. Proprietários que deixam as lojas fechadas deveriam ser punidos pelos órgãos responsáveis”, defendeu.

A importância do encontro também foi salientada pelo delegado José Paulo Pires.

“Meu primeiro emprego foi como balconista no bar do meu pai e vi na pele as dificuldades pelas quais os comerciantes passam. Esta iniciativa é de fundamental importância para o desenvolvimento econômico de nossa cidade”, elogiou.

Gegê Galindo defendeu a revitalização do Centro de Niterói. Segundo o ex-vereador, a questão é levantada por ele desde 1999.

“A reformulação do Centro da cidade é fundamental para alavancar o comércio de Niterói. Está destruído. Desde 99 eu discuto esse assunto e nada mudou infelizmente. O centro é fundamental para qualquer cidade e aqui não pode ser diferente”, disse.

Perguntas – A dinâmica do encontro foi previamente acordada com as assessorias. Perguntas foram formuladas e enviadas aos candidatos. Durante o debate, cada um dos questionamentos foi respondido por três candidatos, definidos através de sorteio. A primeira delas foi: “qual é sua proposta para o desenvolvimento do comércio local?”. Os sorteados foram o delegado José Paulo Pires, Joel Pereira e Walter Dourado.

José Paulo defendeu que o consumo seja incentivado na cidade, através de incentivos aos contribuintes e criação de polos comerciais. Joel Pereira disse que pertente conversar com os empresários para saber quais são suas necessidades reais para elaborar projetos. Walter Dourado voltou a defender a diminuição do valor dos alugueis, com intervenção do governo, se necessário.

Bruno Lessa, Gegê Galindo e Gustavo Schmidt foram sorteados para responder a pergunta “qual sua percepção sobre a carga tributária do Estado?”. Lessa criticou os impostos altíssimos e as alíquotas existentes hoje no Brasil. Já Gegê atacou as isenções concedidas às empresas, motivo pelo qual “o estado está quebrado e o ex-governador Sergio Cabral preso”. Schmidt também defendeu a redução de impostos, que oneram muito os empresários, dificultando assim a geração de empregos.

“Como enxerga a possibilidade conceder linha de crédito?” foi o tema respondido pelo coronel Salema, Felipe Peixoto e Walter Dourado. Salema afirmou que é preciso dar garantias de que os empresários tenham condições de ter retorno para conseguir pagar os empréstimos. Felipe Peixoto disse que o crédito é fundamental para quem deseja empreender, e que ele precisa ser falicitado, mesma posição de Dourado, que citou novamente a questão dos alugueis.

A concorrência das feiras itinerantes, cada vez mais comum na cidade, foi debatida por Schmidt, Salema e Feres Mello. Os três concordaram que elas são importantes para quem está empreendendo, mas que é preciso regras e fiscalização para que não atrapalhem o comércio físico. Felipe Peixoto, Walter Dourado e José Paulo Pires falaram sobre a reforma trabalhista. Peixoto disse que ela é importante para modernizar a legislação, mas não da forma como foi aprovada. Dourado disse que é a favor do atual modelo, enquanto José Paulo Pires afirmou que ela é necessária e novas medidas adotadas facilitaram a contratação.

Gegê Galindo, Bruno Lessa e Joel Pereira foram sorteados para falar sobre o turismo como forma de arrecadação. Galindo defendeu a exploração do transporte aquaviário na Baía de Guanabara para deslocamento entre os bairros da cidade. Bruno Lessa disse que o turismo é fundamental para a geração de empregos e que é preciso rever a Lei de Hoteis, já que hoje muitas pessoas passam apenas um dia na cidade. Joel Pereira afirmou que é preciso divulgar a cidade também para os moradores, sobretudo nas escolas, para que as crianças conheçam a cidade onde moram.

A penúltima pergunta foi sobre o déficit na Previdência, e foi feita para Felipe Peixoto, Bruno Lessa e Walter Dourado. Felipe Peixoto afirmou que é preciso fazer uma revisão profunda na lista de beneficiários, já que uma parcela pequena recebe muito, enquanto outra grande parcela recebe muito pouco. Bruno Lessa reconheceu que o problema não é fácil de se resolver, e defendeu também uma autitoria completa e um teto para os aposentados, pois muitos chegam a receber mais de R$ 100 mil. Walter Dourado foi categórico ao apontar como solução que grandes empresas do Brasil, devedoras da Previdência, paguem suas dívidas.

Sobre o incentivo a microempresas e microempreendedores individuais, última dúvida respondida, responderam o coronel Salema, Gegê Galindo e José Paulo Pires. Assim como na questão sobre a linha de crédito, os três defenderam que o estado fomente a regularização das empresas, dando condições para que os empresários possam sair da informalidade.

Ao final do encontro, os nove candidatos presentes assinaram uma carta compromisso, afirmando que caso eleitos, atuem efetivamente em oito temas prioritários para o desenvolvimento do comércio de Niterói: fortalecimento do comércio e desenvolvimento econômico local, modernização das relações de trabalho, mobilidade urbana e infraestrutura para revitalização de centros comerciais, educação empresarial e assistência gerencial às MPE, e apoio à inovação do varejo.

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