Campanha Janeiro Branco alerta para importância da saúde mental

Camilla Galeano

O novo assusta. Aquilo que não conhecemos causa medo. Ainda mais quando o que é novo e desconhecido é uma doença que já matou mais de 208 mil pessoas no país. A pandemia do coronavírus trouxe muitas incertezas para todo o mundo deixando os problemas psicológicos em evidência. Isso mostrou a importância do tratamento feito com especialistas como psicólogos e psiquiatras. O Janeiro Branco fala justamente disso.

A campanha visa disseminar a importância da saúde mental para as pessoas e instituições sociais. Idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão, em Minas Gerais, a partir do momento que psicólogos da cidade de Uberlândia decidiram ir as ruas para falar sobre saúde emocional e qualidade de vida.

A psicóloga Fernanda Rocha, especialista no tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) falou sobre o desenvolvimento da consciência emocional e das consequências quando as emoções são ignoradas.

“Somos feitos de emoções e não aprendemos a lidar com isso em nenhum momento durante a nossa formação individual. A consequência disso, são pessoas cada vez mais ansiosas, depressivas e a taxa de suicídio aumentando significativamente em todo país. A saída para isso é buscar atendimento psicológico, com profissional da saúde mental”,explicou.

Muitas pessoas não souberam lidar com as limitações no direito de ir e vir. O famoso sair para distrair a mente, estar em contato com outras pessoas, ter o abraço de um amigo, tudo isso foi proibido para tentar conter o avanço do coronavírus. Foi nesse momento que o maior inimigo de muita gente, a própria mente, começou apresentar sinais preocupantes. Foi o caso do advogado Raphael Severino, de 26 anos. Ele estava sempre viajando e quando isso foi proibido, ele não soube ao que recorrer.

“Eu tive duas crises de ansiedade em uma semana. Isso no segundo mês de pandemia. Eu olhava para as paredes da minha casa e sentia vontade de gritar. Era uma angústia horrível, vontade de chorar. Eu nunca tinha sentido nada perto disso, sempre que estava um pouco estressado viajava com os amigos, e até sozinho mesmo. Quando me vi sem isso, foi bem complicado”, conta.

Números impressionam

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) relatam que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalentes a 5,8% da população, atrás dos Estados Unidos, com 5,9%. De acordo com Fernanda, a cultura das festas, futebol, tradições, feriados, sorrisos e acolhimento pode soar para muitos como o ambiente perfeito para viver, mas essa não é realidade.

“Não sabemos o que fazer com as dores. Não temos hábito de falar sobre aquilo que pensamos e sentimos. É nesse momento que nos perdemos. Passamos uma vida toda preocupados com dinheiro, trabalho, aparência, família e não tiramos tempo para cuidar do que comanda tudo isso: A mente. O resultado é esse. Os números falam por si”, explica.

Algumas pessoas sentem dificuldade em pedir ajuda diretamente, acham que conseguem resolver o problema sozinha, ou não se dão conta do quão grave a situação pode ficar caso não busquem ajuda psicológica.

“O nosso cérebro tem um mecanismo interessante e que faz parte do instinto de sobrevivência: evitar sofrimento. Então, seguimos evitando tudo que nos faz sofrer, brigas, conflitos, discussões e principalmente, verdades. Perceber que está passando por um momento de difícil, procurar ajuda e iniciar um tratamento terapêutico (ainda) não é para todo mundo”, diz a psicóloga Fernanda, lembrando que existem os locais de atendimento gratuito para aqueles que não tem condições de pagar um tratamento, mas que precisam fazer.

“Clínicas escolas de universidades públicas e privadas, postos de saúde, instituições religiosas, clínicas de instituições psiquiátricas, são algumas das alternativas disponíveis que oferecem tratamento psicológico gratuito ou de baixo custo. Hoje com a pandemia, surgiram diversas redes de apoio e psicólogos autônomos oferecendo atendimento gratuito online, ajudando centenas de pessoas que estão sofrendo nesse momento complicado em que vivemos”.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) suspendeu os cursos presenciais de formação de voluntários, mas investiu no aumento dos ramais para atendimento remoto da linha 188, que é gratuita e está disponível 24 horas por dia.

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